quarta-feira, 27 de março de 2013

GREEN DAY


Uno!, Dos!, Tré!. A fase mais complicada do Green Day




Há quase sete meses o Green Day dava início ao lançamento de sua trilogia denominada “Uno!”, “Dos!”, “Tré!”. Seria na verdade um álbum triplo, mas que chegaria ao público separadamente, em um intervalo de cinco meses.

O primeiro deles, como o nome claramente já diz, “Uno”, foi lançado em setembro do ano passado e, logo em seguida, teve sua review publicada neste blog. Na minha humilde opinião, avaliei o trabalho como apenas mediano e aquém das expectativas que tinha antes de ouvi-lo. Deixei aberta, porém, a possibilidade de os caras “virarem” o jogo nos álbuns “Dos!” e “Tré!”, que seriam lançados respectivamente em novembro e janeiro.

Pois bem. Quando tive a chance de ouvir “Dos!”, torcendo para que fosse um disco superior ao seu antecessor, mais uma vez me decepcionei. Tanto é que acabei nem escrevendo uma crítica do álbum na época que chegou às lojas. Desanimei. Adiei este texto várias vezes em detrimento de outros temas que me empolgaram mais.


Agora resolvi não adiar mais. Vou falar sobre “Dos!” e “Tré!”. No fim das contas acabou até sendo uma boa porque esse período de lançamento dos novos álbuns do Green Day lamentavelmente foi preenchido por muita turbulência envolvendo os pop-punkers da Califórnia. Ou seja, agora tenho assunto acumulado para tratar por aqui.

Com relação a segunda parte da trilogia, o que posso dizer é que o disco pouco se difere de “Uno”. Há canções que lembram um pouco o Green Day do final dos anos 90 como “Makeout Party”, “Ashley” e “Stray Heart”, primeiro single do cd. Estão presentes também faixas que remetem ao “alter-ego” da banda, Foxboro Hotubs, ou seja, influenciadas por rock sessentista. São os casos de “F*ck Time” (que abre o disco após uma breve introdução) e “Stop When the Red Lights Flash”.

As músicas mais diferenciadas do cd são “Nightlife”, mais uma tentativa de dance rock que já não havia dado certo em “Uno!”, e a balada meio bossa nova que encerra os trabalhos, “Amy”. Como o nome já indica, uma canção em homenagem a cantora Amy Winehouse, morta em 2011.


Numa avaliação geral, “Dos” é um álbum que não empolga muito. Até existem alguns momentos mais agitados, mas ouvindo uma faixa atrás da outra, você fica com a sensação que o disco vai embalar, mas isso nunca acontece. Uma pena.

Para piorar a situação, o vocalista e guitarrista Billie Joe Armostrong, logo no início da turnê da trilogia, ainda em setembro, teve que ser internado em uma clínica de reabilitação, ao que se sabe, por uso abusivo de medicamentos. O fato obviamente destruiu os planos da banda de excursionar para promover os novos discos. Várias datas de shows foram adiadas ou canceladas. Para tentar amenizar esse baita revés, o jeito foi antecipar o lançamento de “Tré!”. O álbum que sairia somente em janeiro deste ano, acabou vendo a luz do dia oficialmente ainda em dezembro do ano passado. O vazamento das músicas do disco na internet também contribuiu para que isso ocorresse.


Com “Tré!” vinha a chance do Green Day fechar bem a trilogia e se recuperar dos tropeços de “Uno!” e “Dos!”. Pois bem. Até que deu certo. Não sei se a ideia da banda era deixar o melhor para o final ou se foi apenas uma coincidência. O fato é que o nível das canções melhorou. As faixas soam com mais pegada que as anteriores. Nada que chegue muito perto do estilo dos primeiros quatro discos dos caras, mas deu pra lembrar bastante dos bons momentos dos álbuns “Nimrod” (1997)  e “Warning” (2000).

As músicas que mais me agradaram foram “8th Avenue”, “Sex, Drugs and Violence”, que conta até com uma participação no vocal do baixista Mike Dirnt, além de “A Little Boy Named Train” e “Amanda”. Essa sequência, na verdade, foi a que elevou o nível do álbum. Todos os integrantes de destacam. Tré Cool desfila algumas viradas de bateria bem interessantes e alguns solos de guitarra de Billie Joe e do membro mais recente do grupo, Jason White,  abrilhantam as canções.

Mas o grande destaque de “Tré!” ficou por conta da música “Dirty Rotten Bastards”. Apesar de longa, cerca de seis minutos de duração, tem a energia que se espera do Green Day. Ela começa meio lenta e parece que vai ser apenas uma balada insossa, Mas logo a bateria acelera e torna a música muito mais interessante que todas as outras do cd. Lá pelas tantas, até um solo de baixo aparece para dar mais qualidade ainda a faixa. Sem medo de errar, posso dizer que é a melhor música de toda a trilogia, que acabou sendo incluída, digamos, naquele que foi mais agradável dos três álbuns.


Se for pra fazer uma avaliação geral de “Uno!”, “Dos!” e “Tré!”, infelizmente digo que foi uma decepção. Foi uma sensação ruim chegar em uma loja, ver esses cds nas prateleiras e não sentir a menor vontade de comprar nenhum deles. Muito diferente do que acontecia até alguns anos atrás, quando eu comprava qualquer álbum do Green Day de olhos fechados.
Passada toda essa tormenta, vamos ver como a banda se sai daqui pra frente. Billie Joe saiu da reabilitação recentemente e os shows adiados já começam a ser reagendados. Inclusive, os caras foram escolhidos para serem um dos headliners do tradicional Reading/Leeds Festival, na Inglaterra, a ser realizado durante o verão europeu.

Deve ser muito difícil para uma banda se manter relevante por tanto tempo. O Green Day começou como uma banda punk underground no final dos anos oitenta, atingiu o auge com seu terceiro álbum “Dookie” (1994), manteve um desempenho apenas mediano durante alguns anos e mais uma vez explodiu em popularidade com “American Idiot” (2004). Eu fico imaginando o que os integrantes da banda ficam pensando cada vez que entram em estúdio para compor um novo trabalho. Devem ficar matutando muito para saber que direção tomar e o que fazer para continuar chamando atenção do público e da mídia. Ou talvez não. Talvez eles estejam apenas preocupados em compor músicas naturalmente sem se preocupar se vão estourar nas paradas. Só perguntando pra eles para saber qual é a verdade.

O fato é que o Green Day de hoje, para mim, deixa a desejar. Com certeza vou continuar de olho na banda. Acompanhei os caras por tantos anos que eu acharia injusto simplesmente desencanar de vez. Fica a expectativa de que possam entrar nos trilhos novamente. Fazendo uma analogia com uma frase típica do meio futebolístico, “ninguém desaprende a jogar bola”. Ou seja, quem nasceu craque, vai continuar craque. O Green Day ainda deve ter alguns anos de carreira pela frente. Por isso, a qualquer momento, podemos ver o grupo competente mais uma vez. Potencial não falta. É aguardar pra ver.




quinta-feira, 14 de março de 2013

Chorão


Chorão: o lado errado da vida certa


Vou dizer logo de cara. Eu tinha uma certa bronca do Chorão. Obviamente, eu não tive a chance de conhecer o Alexandre Magno Abrão. Não posso falar de como ele era na vida real, na sua intimidade. Mas eu posso falar do vocalista da banda Charlie Brown Jr., que eu acompanhei assiduamente por cerca de sete anos.

O Chorão que aparecia para a mídia era um cara abusado. Não fazia média com ninguém. Quando gostava de alguém, demonstrava claramente. Quando não gostava, idem. Isso despertou antipatia em várias pessoas. No começo da carreira do Charlie Brown eu não me atentei muito para isso. Mas com o passar do tempo e o aumento do sucesso do grupo, foi possível ver que Chorão era um cara de quem você podia esperar qualquer coisa. Criticar, xingar e até mesmo agredir eram suas reações quando era confrontado de alguma forma. Por isso acabei tendo que separar o Chorão vocalista e letrista de um bom grupo de rock do Chorão fora dos palcos, que não tinha nenhum pudor pra falar o que pensava.

O complicado de todo esse contexto é que quase sempre a gente pode encontrar o lado bom e o lado ruim de uma pessoa com as características que Chorão tinha. Sua autenticidade era totalmente refletida nas letras que escrevia. Cada palavra que saía de sua boca, positiva ou negativa, era honesta e, muitas vezes, bem elaborada. Muito diferente das letras rasas que se vê na maioria das bandas de rock que fazem sucesso atualmente.


Concordo que é exagero dizer que Chorão está no mesmo patamar de Cazuza, Renato Russo ou Herbert Vianna. Mas é inegável dizer que ele foi, sim, a voz de uma geração. Uma geração cheia de defeitos, é verdade. Foi exatamente por isso que tantos jovens se identificaram com ele. Porque suas letras refletiam a maneira de pensar de muitos deles. Não fosse assim, o Charlie Brown não teria vendido mais de 2 milhões de discos.

Eu me identifiquei com a música do Charlie Brown Jr. por um bom tempo. Mas depois, um pouco mais velho, passei a considerar a banda como uma boa recordação da minha juventude. Acabei pegando a tal bronca do Chorão que citei no início do texto e deixei de acompanhar seu trabalho.

Mas além da língua afiada, o vocalista do Charlie Brown tinha uma vida dividida em duas frentes: em uma delas ele era o molecão que andava de skate, usava boné o tempo todo, falava gírias, etc. Na outra, ele era um cara muito sensível e, porque não dizer, romântico. Essas duas frentes eram vividas intensamente e inclusive transpareciam nitidamente em suas letras.


Para uma pessoa que vive tudo intensamente, um ingrediente muito peculiar poderia ser fatal: as drogas. E no caso de Chorão, foi fatal. Para muitas pessoas, esse roteiro, com uma alteração aqui e ali, é muito familiar. E, lamentavelmente, o final da história muitas vezes é igual a de Chorão.

Não estou usando esse texto para dar lição de moral pra ninguém e nem queria soar piegas, com um discurso pronto. Se soei, me desculpe se desperdicei o tempo de vocês que estão lendo até aqui. Minha intenção era apenas constatar um fato real que faz parte do cotidiano de muitas pessoas no mundo inteiro e arrasa, com maior ou menor intensidade, com a vida de muitas delas. Tanto faz parte que muita gente não chegou a se surpreender com a morte do Chorão. Se a causa tivesse sido um acidente de carro ou um latrocínio, acredito que muita gente estaria mais chocada e até com certa pena do cara. Mas como foi, muito provavelmente, em função do uso de drogas e remédios, a frase mais ouvida talvez tenha sido: “Ah...era de se esperar”. Pois é. Infelizmente, também acho que era mesmo.

Uma música obscura do disco “100% Charlie Brown Jr.” (meu preferido da banda), se chama “O Lado Certo da Vida Errada”. Eu inverto essa frase pra dizer que Chorão, por vários motivos, viveu o lado errado da vida certa. Um cara com talento, que conseguiu fama fazendo o que gostava, enfim, que tinha a vida certa, mas acabou vencido pelo lado errado.




terça-feira, 5 de março de 2013

TOP 5

Os melhores baixistas da história

O baixo, ou contra-baixo, é aquele instrumento que quem não é muito ligado em música nem percebe sua presença um uma canção. Muitos acham inclusive que ele nada mais é do que mais uma guitarra. Ledo engano.

Este instrumento de cordas grossas e braço mais longo que o das guitarras desempenha um papel fundamental em uma composição musical. Ao lado da bateria, o baixo forma o que os músicos chamam de “cozinha” de uma banda. São esses dois instrumentos que dão a base em uma canção para que as guitarras e vocais possam brilhar.


Acontece que nem sempre o baixo desempenha apenas esta função burocrática. Isso porque alguns baixistas resolveram dar um passo além. Deixaram de ser apenas coadjuvantes para se tornarem grandes músicos, peças fundamentais para seus grupos ou mesmo grandes artistas solo. Verdadeiras lendas.

Alguns dizem que o baixo é o instrumento musical mais sensual que existe. Em gêneros musicais como a soul music, o jazz ou o reggae, ele vira protagonista e suas linhas acabam tendo realmente um poder quase hipnótico sobre o ouvinte.

Portanto, eu tenho o prazer de anunciar os maiores baixistas da história, segundo as pesquisas e a opinião deste humilde blogueiro. Confira!






1º Cliff Burton – Metallica
Clifford Lee Burton era um sujeito especial. Quando conheci o Metallica ela já havia falecido há quase dez anos em um terrível acidente com o ônibus de turnê da banda. Mas ouvindo os álbuns em que ele gravou músicas sensacionais pude ter noção do quão fantástico era Cliff Burton. Sua técnica era impressionante. O cara dominava o instrumento de forma assustadora e ainda por cima possuía uma postura de palco arrebatadora. A cada apresentação que fazia ele visivelmente se entregava de corpo e alma. Seu desaparecimento com apenas 26 anos de idade foi um tremendo baque para o Metallica. Tanto que, por esse motivo trágico, a história da banda se divide em “antes de Cliff” e “depois de Cliff”. Mesmo que você não seja fã de rock sugiro que veja o documentário tributo ao baixista, “Cliff’Em All”, ou pelo menos ouça as faixas “For Whom The Bell Tolls”, “Orion” e a espetacular “Pulling Teeth (Anesthesia)”. Uma verdadeira aula. Cliff é um mito e fim de papo.








2º Steve Harris – Iron Maiden
Quando disse na introdução desta lista que alguns baixistas resolvem dar um passo além e serem os protagonistas, não existe exemplo melhor do que Stephen Percy Harris, ou apenas Steve Harris. Este inglês da cidade de Leytonstone colocou na cabeça, ainda adolescente, que queria montar uma banda de rock e ser famoso mundialmente. E conseguiu. Empunhando seu baixo com maestria, Harris criou o Iron Maiden em meados dos anos 70 e vem liderando essa que é umas das maiores bandas de metal de todos os tempos até hoje. Tecnicamente, Steve é praticamente perfeito. Sua competência fez dele o principal compositor e letrista do grupo. Todas as músicas do Maiden giram em torno de seu poderoso baixo. Provavelmente essa marca registrada é que faz com que esta banda tenha tantos seguidores nos quatro cantos do mundo por mais de 30 anos. Alguns dos clássicos compostos por Steve Harris são: “The Trooper”, “Run to the Hills” e “Fear of the Dark”. Ouça e comprove.








3º Jaco Pastorius – artista solo e Weather Report
Ao contrário do que alguém possa pensar, o baixo é um instrumento que permite muitas improvisações e solos extremamente intrincados assim como uma guitarra elétrica. O maior exemplo disso é o norte-americano Jaco Pastorius. O cara é tipo o Jimi Hendrix do baixo, tamanha a sua habilidade com o instrumento. Especialista em jazz, Jaco se notabilizou através do projeto Weather Report e de seus álbuns solo. Intercalou lançamentos das duas frentes até seu último trabalho, lançado em 1983 e entitulado “Invitation”. Devido ao seu talento incontestável, Jaco era constantemente convidado para participar de gravações de grandes mestres do jazz como Herbie Hancock e Joni Mitchel. Sua vida foi precocemente ceifada numa briga de bar no estado da Flórida. Ele não resistiu aos ferimentos causados por um segurança e veio a falecer com apenas 35 anos de idade. Vinte e cinco anos depois de sua morte, Jaco Pastorius ainda é uma influência muito forte para inúmeros baixistas mundo afora. Algumas de suas grandes composições são: “Crisis”, “Liberty City” e “River People”.









4º Flea – Red Hot Chili Peppers
O apelido deste baixista não poderia ser mais apropriado. Michael Balzary é mundialmente conhecido como o Flea (pulga em inglês) do Red Hot Chili Peppers. Quem já viu o cara em cima do palco percebeu que ele não para quieto um minuto sequer. Saltos, cambalhotas, danças esquisitas durante algumas músicas, etc. Tudo é possível quando se trata de Flea. Mas vocês podem estar perguntando: e quanto ao baixo? Eu respondo. O homem é um monstro. Em uma banda de apenas uma guitarra como os Chili Peppers, o baixo se destaca muito e, no caso de Flea, com uma competência ímpar. Muito criativo e preciso, ele já compôs linhas que ficaram marcadas na história do rock como nas faixas “Give It Away”, “Californication” e “Suck My Kiss”. Ah! Vocês se lembram que eu disse que o baixo é um dos instrumentos mais sensuais que existe? Pois bem. Flea deixa isso muito claro na faixa “Soul To Squeeze”. Ouça e depois me diga se não tenho razão.









5º John Entwistle – The Who
John Alec Entwistle, natural de Londres, iniciou sua carreira tocando em algumas bandas de jazz. Foi com essa base que ele adquiriu suas principais características como músico: técnica e elegância. Quando o The Who se formou, em meados dos anos 60, Thunderfingers, como John também era conhecido, formou uma química impressionante com Pete Townshend (guitarra) e Keith Moon (baterista). Seu estilo mais erudito de tocar dava um toque de classe ao som mais despojado feito por seus companheiros de banda. John era capaz de tirar sons incríveis de seu baixo utilizando técnicas que posteriormente foram perpetuadas através de seus sucessores no mundo do rock. Era de fato um craque das “4 cordas”. Passados os exageros nos 60 e 70, imaginava-se que John Entwistle envelheceria tranquilamente e ainda fazendo um som com seus companheiros remanescentes do The Who. Infelizmente não foi bem assim. Em 2002, aos 57 anos, o baixista foi encontrado morto em um quarto de hotel em Las Vegas, na manhã de 27 de junho. Ele havia sido vítima de um ataque cardíaco em decorrência do uso de cocaína. Ficou o legado de um excelente músico e membro crucial de um grupo que nos deixou pérolas como “My Generation”, “Baba O’Riley” e “The Kids Are Alright”.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CAVALERA CONSPIRACY



Cavalera Conspiracy: irmãos reunidos pelo metal 

  

O mundo do rock é cheio o de casos de parentes que fazem ou fizeram parte de alguma grande banda. Desde os irmãos Wilson, dos Beach Boys, nos anos 60, passando pelos irmãos Eddie e Alex, doVan Halen, nos anos 70 e 80, até chegar aqui no Brasil com Arnaldo e Sergio Baptista dos Mutantes, que viveram seu ápice também nos anos 70.

Mas eu escolhi falar nesse texto de um caso que do qual estou familiarizado. Preferi falar de uma banda brasileira que, por conta de seu estilo, não tem tantos fãs por aqui como a Legião Urbana ou os Paralamas do Sucesso, mas é certamente muito respeitada por sua trajetória de sucesso no mundo todo. Estou me referindo ao Sepultura.


Essa banda de heavy metal foi criada em Belo Horizonte por Max Cavalera (vocal e guitarra) e seu irmão mais novo, Igor Cavalera (bateria), no ano de 1984, quando ainda eram adolescentes. O grupo começou a se destacar na cena metal brasileira ainda nos seus primeiros anos de atividade e, no final dos anos 80, surgiu a oportunidade de assinarem contrato com uma gravadora americana especializada no estilo.

O sucesso do grupo foi crescendo e, após lançarem sucessivos álbuns que agradaram à muitos fãs e à exigente crítica do gênero, adquiriram um status de super banda. Discos como “Arise”, “Chaos AD” e, principalmente, “Roots”, quase sempre figuram em listas dos melhores da história do metal.


Infelizmente um clichê do mundo do rock acabou afetando de forma fatal a continuidade do Sepultura. Em meados dos anos 90, no auge da banda, Igor, Andreas Kisser (guitarra solo) e Paulo Jr. (baixo) se mostraram insatisfeitos com o fato de a empresária da banda, Gloria Cavalera, dar mais destaque para o marido Max. Exato, a empresária da banda era mulher de um de seus membros. As duas partes não chegaram num acordo e o principal compositor e letrista do Sepultura se separou dos seus amigos em dezembro de 96. 




A partir daí, os irmãos Cavalera ficaram cerca de dez anos praticamente sem se falar. No máximo rolaram algumas ligações para desejar feliz Natal. Esse silêncio só foi quebrado em 2006, poucos meses depois de Igor sair do Sepultura, sem dar muitas explicações. Foi através de um telefonema que a velha chama foi reacendida. Em seguida, Igor fez uma participação num show do Soulfly (banda formada por Max após sua saída do Sepultura). Na época, Igor já estava envolvido com seu projeto de música eletrônica chamado Mixhell, enquanto Max seguia com o Soulfly, banda que na realidade nunca atingiu um grande sucesso no mundo do metal. Os irmãos resolveram então retormar de onde haviam parado. Para alegria de seus antigos fãs, surgia o Cavalera Conspiracy.


Menos de dois anos depois de retomarem o contato, os Cavalera entraram em estúdio para gravar o primeiro trabalho deste novo projeto. “Inflikted” foi o nome escolhido para o álbum que contou com 11 faixas. Todas elas muito pesadas e direto ao ponto. Uma verdadeira bomba para ouvidos mais sensíveis. É um disco um tanto quanto diferente dos últimos álbuns do Sepultura e também do Soulfly. Em ambos os casos, a maior característica era a união do peso às batidas tribais e alguns outros experimentalismos. 


Contando com o excelente guitarrista Marc Rizzo (companheiro de Max no Soulfly) e com o baixista Johny Chow, o CC se reúne sempre que há uma brecha na agenda de Max e Igor e reailza turnês principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Felizmente, em sua curta história, os caras já passaram três vezes pelo Brasil. Na primeira vez, tocaram na noite do metal do festival SWU de 2010. Na segunda, no ano seguinte, abriram para o Iron Maiden, em São Paulo, e mostraram para o público algumas músicas novas que fariam parte do novo álbum, “Blunt Force Trauma”, que seria lançado alguns dias depois.

Em outubro do ano passado, os caras se apresentaram no Brasil pela terceira vez, em um único show em São Paulo. Lamentavalmente, não pude comparecer, mas quem esteve lá disse que o "bicho pegou" e que os irmãos mandaram o mais puro metal por mais de uma hora, sem dó nem piedade.

 

É verdade que a banda ainda não alcançou o mesmo nível de aceitação dos tempos áureos do Sepultura. Aliás, nem eles, nem o Soulfly, nem o prórpio Sepultura atual, com sua formação totalmente desfigurada e sem a identidade original que conquistou tanta gente. O fato é que todos saíram perdendo com a confusão ocorrida há quase 20 anos. O metal perdeu um representante espetacular e ganhou dois de nível médio (com vantagem para o Soulfly, na minha opinião).


Especulações eternas dão conta de que a formação original da banda brasileira de maior sucesso no mundo ainda poderá se reunir. Em algumas oportunidades negociações chegaram a ser abertas para que o retorno se concretizasse, mas nunca foram adiante.


 Não sabemos se o CC vai se tornar grande um dia, mas pelo menos um erro grave foi consertado. Max e Igor estão juntos novamente. O próprio baterista chegou a dizer recentemente que esta banda é o mais próximo de uma reunião do Sepultura que as pessoas verão. Não sei se isso realmente será confirmado. De qualquer forma, da minha parte, e creio que da parte de muitos fãs de metal, a alma do metal brasileiro continua viva através do Cavalera Conspiracy. 





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

BAD BRAINS


Bad Brains: a banda mais caótica do mundo!



 E lá vamos nós de volta aos anos noventa. Onde tudo começou. Afinal de contas, foi nesse época que me tornei o grande fã de música que sou hoje. Assistia MTV religiosamente todos os dias. Especialmente o programa “Fúria Metal”. Sim! Existiu um programa nesta emissora dedicado a música pesada. Bons tempos aqueles.

Algumas bandas tinham sempre o mesmo clipe transmitido no programa. “Albatross”, do Corrosion of Conformity, “Critical Mass”, do Nuclear Assault, “La Migra”, do Brujeria e “Soulcraft”, do Bad Brains. Este último sempre me chamou a atenção. A música era uma espécie de funk rock e os integrantes da banda eram quatro caras negros com dreadlocks até a cintura. Eu sempre ficava curioso pra saber mais sobre os caras, mas naquela época eu mal tinha acesso à internet e estava mais exposto às bandas de maior repercursão no mundo do rock como Metallica, Nirvana ou Sepultura. Assim, o Bad Brains permaneceu no limbo da minha mente.

O tempo foi passando e eu fui me tornando fã de inúmeras bandas de rock dos mais variados estilos. Fui comprando os discos, vídeos, indo a shows, comprando camisetas, etc. Foi vendo ou lendo entrevistas das bandas que eu gostava que comecei a reparar que algumas delas citavam o Bad Brains como influência e às vezes até faziam covers deles. Aos poucos minha curiosidade ia sendo cada vez mais aguçada para descobrir mais sobre esse grupo obscuro. 

Dentre os vários estilos de rock que me agradam um deles certamente é o punk rock. Portanto, nada mais natural, para mim pelo menos, que eu começasse a “cavar” cada vez mais fundo para saber quais eram os precursores de bandas que eu curti muito na minha adolescência (e ainda curto, na verdade) como The Offspring e Green Day. Foi assim que finalmente as peças começaram a se encaixar. Cavando bem fundo descobri que o Bad Brains é uma das bandas pioneiras do hardcore punk. Vertente deste estilo que surgiu nos Estados Unidos no final dos anos setenta e cujo auge durou não mais do que cinco anos.




Todos os membros das bandas que fizeram parte desta cena eram categóricos ao afirmar que o Bad Brains era especial. Que eram quatro caras que sempre que subiam no palco faziam shows memoráveis, com carisma e energia de sobra. Não deu outra. Resolvi conhecer de verdade do que se tratava de fato esse “tal” Bad Brains.

O grupo formado em 1977, na cidade de Washington DC, por H.R (vocais), Dr. Know (guitarra), Darryl Jenifer (baixo) e Earl Hudson (bateria) era, antes mesmo de adotarem o nome atual, uma banda de jazz fusion chamada Mind Power. Mas em pouco tempo mudaram sua direção musical e passaram a compor canções totalmente ao estilo hardcore.

Provavelmente o trunfo do Bad Brains está justamente no fato de terem tocado um outro estilo musical no início da carreira. Como uma banda de jazz, todos os músicos desenvolveram uma técnica apurada para manusear seus instrumentos. Sendo assim, quando enveredaram para o hardcore, onde a destreza musical não era a maior virtude de grande parte das bandas, o Bad Brains se destacou. Além de ter a mesma “pegada” caótica de um Black Flag ou um Minor Threat em cima do palco, eles esbanjavam categoria em suas composições. Dr. Know conseguia mesclar a agressividade dos riffs típicos de hardcore com solos intricados de um guitarrista muito competente.




Meu primeiro contato direto com a música dos caras foi através da coletânea “Banned in DC: Bad Brains’ Greatest Riffs”, que eu tive a chance de comprar fora do Brasil, já que, por ser uma banda underground, seus discos nunca foram lançados por uma gravadora daqui. Fiquei boquiaberto. Bastou soarem os primeiros acordes de “Pay To Cum” para que eu entendesse enfim porque todo mundo havia falado tão bem deste grupo.

O cd passeia pela primeira fase da formação clássica, desde o álbum de estreia “Bad Brains”, lançado em 1982, até “Quickness” (álbum que contem a faixa “Soulcraft” do clipe que eu via na MTV), de 1989. Nesta coleção dá pra ver muito bem como a banda foi se transformando com o passar dos anos. O punk “direto ao ponto” dos primeiros discos foram dando lugar ao metal, funk metal, soul e reggae. Este último mais do que justificado, já que os integrantes do grupo são todos seguidores da religião Rastafari. Vem justamente daí grande parte da temática das letras escritas por H.R., que vão desde a crítica à violência policial, racismo, chegando a temas mais brandos como a espiritualidade.

Pelo fato de serem ácidos críticos da sociedade americana, o Bad Brains chegou a ser informalmente banido de sua própria cidade natal, no fim dos anos setenta. Nenhuma casa de shows da região queria abrigar um show de uma banda cujas letras tocavam na ferida de uma sociedade em que predominava um moralismo e conservadorismo extremos.




Pouco tempo depois de ter adquirido a coletânea “Banned in DC”, já totalmente fissurado por esses punk-rastafaris, comprei pela internet o Dvd “Live at CBGB’s”. Se trata de um show gravado na véspera do Natal de 1982, como o título já diz, na lendária casa de shows novaiorquina CBGB’s. O grande templo do punk na cidade. Na verdade o local era um “moquifo”. Um cenário ideal para a performance agressiva do Bad Brains diante de seus fãs que constantemente subiam no palco, tentavam tomar o microfone de H.R para cantar junto com o ídolo músicas espetaculares como “Big Takeover”, “I”, “Right Brigade”, “How Low Can a Punk Get”, entre tantas outras. Toda aquela “confusão” era tudo o que um show de punk rock que se preze deve ter. Totalmente recomendável para os fãs do gênero.

Após o lançamento de “Quickness”, o grupo passou por várias mudanças em sua formação e lançou mais três trabalhos que não atingiram o mesmo patamar da primeira fase. Até que, em 1998, a formação clássica se reuniu e gravou mais três discos, sendo o último, intitulado “Into the Future”, lançado ano passado.

Para minha imensa alegria, o Bad Brains fará sua primeira visita ao Brasil neste ano de 2013. No dia 5 de abril, os caras vão tocar em um bar em São Paulo. Isso mesmo. Um bar! Dá pra vocês terem uma noção do caos que será promovido neste dia? Nesse momento vem a pergunta: Fábio, você vai estar lá? Farei tudo que estiver ao meu alcance para que eu esteja. Se eu realmente estiver presente neste show, tenho plena certeza que não serei o mesmo depois deste dia.





terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PEARL JAM

Faltam pouco menos de dois meses para a segunda edição brasileira do festival Lollapalooza. O evento tradicional do indie rock, criado por Perry Farrell (vocalista da banda ícone do indie, Jane's Addiction), foi realizado pela primeira vez no nosso País no ano passado com performances memoráveis de Foo Fighters e Arctic Monkeys. O line up deste ano está tão poderoso ou mais que o do ano passado. Eu fiz questão de dedicar alguns posts do blog a alguns artistas que se apresentarão no Lolla Brasil 2013. Os headliners The Killers e Black Keys, além de Franz Ferdinand e Gary Clark Jr, já foram destacados aqui no Essa é Minha Cara. Mas ainda faltava falar de um headliner. O Pearl Jam. A veterana banda de Seattle, pioneira do chamado "movimento grunge" nos anos noventa, será a atração principal do último dia do festival. Como um aperitivo para esta que será a terceira visita de Eddie Vedder e companhia ao Brasil, resgatei o texto que escrevi sobre o grupo tratando dos 20 anos de carreira completados em 2011. Espero que sirva de incentivo para que vocês estejam presentes no Jockey Clube de São Paulo no dia 31 de março. 


Pearl Jam: 20 anos remando contra a maré 




Foi mais ou menos no final do ano de 1993 que eu ouvi numa fita cassete gravada por um amigo o seguinte refrão: “Jeremy spoke in...class today”.  Era uma música bem melancólica. O vocalista passava muita emoção em cada verso. Na parte final, a melancolia dava lugar a gritos. Guitarras, baixo e bateria, em uníssono com a itensidade do vocal, alcançaram um volume muito mais alto do que no início da canção. O encerramento era belíssimo. Uma linha de baixo soando sozinha, do mesmo modo que havia iniciado. Pronto, a banda Pearl Jam acabava de ganhar um fã para sempre.

Quando eu ouvi “Jeremy” (a música citada no parágrafo acima) pela primeira vez, essa banda de Seattle já havia lançado seu primeiro disco cerca de dois anos antes. Eddie Vedder (vocal), Stone Gossard (guitarra base), Jeff Ament (baixo), Mike McCready (guitarra solo) e Dave Krusen (bateria) gravaram em 1991 o álbum “Ten”.  O chamado movimento grunge, na cidade Seattle, já estava em plena ebulição. Bandas como Soundgraden, Alice In Chains, Screaming Trees e claro, Nirvana, já faziam sucesso quando o quinteto lançou um álbum que conquistou público e mídia com canções poderosíssimas como “Even Flow”, “Black”, “Once”, a própria “Jeremy” e um dos hinos do rock dos anos 90, “Alive”. 

Mas alguns expoentes do grunge, dentre os quais, Kurt Cobain, torceram o nariz para o Pearl Jam. Achavam que o grupo estava apenas se aproveitando da onda de sucesso para fazer uma grana. Ledo engano. O Pearl Jam tinha raízes ainda nos anos 80 quando Gossard e Ament tocaram em bandas que ajudaram a criar o grunge como Green River e Mother Love Bone.




Pouco a pouco todos perceberam que os caras realmente haviam chegado pra ficar. As letras profundas de Eddie Vedder sensibilizaram muita gente e casavam perfeitamente com os ótimos instrumentistas. Aliás, logo na primeira turnê, o baterista Dave Krusen foi substituído por Dave Abbruzzese, que deixou as performances ao vivo ainda melhores.

A partir daí a banda não parou de crescer. Os hits do álbum de estreia dominavam a programação das rádios alternativas do mundo inteiro. Consequentemente, muita coisa que costuma vir no “pacote da fama” passou pelo caminho do Pearl Jam. O vocalista passou a chamar mais atenção por ser boa pinta e se transformaram nos queridinhos da MTV, gravando inclusive uma performance acústica para a emissora.

Obviamente também veio o primeiro videoclipe para a canção já tão falada nesse texto, “Jeremy”.  E não deu outra. O Pearl Jam ganhou prêmios no MTV Video Music Awards pela obra dirigida por Mark Pellington, que descrevia exatamente o que falava a letra baseada num fato verídico: a história de um garoto pré-adolescente que não recebia muita atenção dos pais, era rejeitado na escola e acabou cometendo suicídio em frente aos colegas, em plena sala de aula.




Mas foi a partir daí que tudo começou a mudar para a banda de Seattle. O sucesso começou a incomodar os caras. A excessiva exposição não seduziu seus  integrantes, nem tampouco os fez  arrogantes ou megalomaníacos. Muito pelo contrário. O Pearl Jam se tornou totalmente avesso à mídia. Não lançaram mais nenhum clipe para o álbum “Ten” (apenas trechos de apresentações ao vivo e uma colagem de imagens pessoais da banda foram exibidos como clipes). Também ficaram extremamente irritados com a quantidade absurda de vezes que a MTV exibiu o acústico que haviam gravado pouco tempo antes.

Nesse clima mais do que alternativo, em setembro de 93, o grupo lançou seu segundo álbum. “Vs” conseguiu passar com louvor o temido “teste do segundo álbum”. Aquele trauma que quase toda banda tem quando atinge um grande sucesso logo  no primeiro tabalho e cria uma enorme expectativa com relação ao seu sucessor.  Mesmo sem se expor demais, contando com a sua já fiel base de fãs e com os críticos que reconheciam o valor da banda, “Vs” foi muito bem recebido. E não era pra menos. Começando com a pancadaria de “Go”, continuando com “Animal”, as baladas “Daughter” e “Dissident”, até chegar na sensacional “Rearviewmirror”, o cd era mais uma obra prima de Vedder e companhia.

No ano seguinte, o Pearl Jam seguiu ainda mais engajado a lutar contra o “sistema”. No auge do sucesso, a banda simplesmente decidiu se recusar a fazer shows que tivessem venda de ingressos organizada pela empresa Ticketmaster. Alegando que se tratava de um monopólio e que os preços cobrados pelos ingressos dos concertos eram abusivos, o grupo tentou utilizar métodos alternativos para excursionar, entrou na justiça, fez tudo o que pôde. Não deu muito certo. Acabou sendo um tiro no próprio pé.




Com poucos shows agendados, o Pearl Jam resolveu se dedicar a gravação de seu terceiro trabalho que ganhou o nome de “Vitalogy”. Foi o último com o baterista Dave Abbruzzeese, que seria substituído por Jack Irons. Mesmo com toda a adversidade do momento, as novas canções mais uma vez conquistaram a todos. “Better Man”, “Corduroy”e “Not For You” foram alguns dos grandes destaques do álbum.

À margem do “mainstream”, o Pearl Jam seguiu. Musicalmente, os integrantes sentiram que era hora de experimentar mais, de tentar elaborar mais suas composições. Os discos “No Code”, de 96 e “Yield”, de 98, causaram pouco alarde. O segundo ganhou relevância maior porque, depois de seis anos, um novo videoclipe foi produzido. Uma animação criada pelo desenhista Todd McFarlane, que contava a história da humanidade mostrando guerras, escravidão, entre outras atrocidades, foi o pano de fundo para a grande canção “Do The Evolution”.

Com a chegada do novo milênio, o Pearl Jam não perdeu o ritmo. No ano 2000 saiu o álbum “Binaural”. Foi o primeiro com o baterista Matt Cameron, ex-Soundgarden, que permanece no posto até hoje. Também neste início de século os caras se envolveram ainda mais com causas políticas e sociais. As letras de Eddie Vedder passaram a conter mensagens um pouco mais ácidas contra o governo norte-americano da época.




Já no quesito meio-ambiente, o Pearl Jam manteve a tradição iniciada em 94 de utilizar apenas papel reciclado nas embalagens de todos os cds lançados. Até hoje, nenhum álbum da banda chega às lojas na convencional caixinha de plástico.

Mas foi justamente um grupo que se preocupa tanto com seu público e com as pessoas como um todo que viu o destino lhe pregar uma grande peça. Ainda em 2000, durante sua performance no festival Roskilde, na Dinamarca, um grande tumulto causou a morte de nove pessoas pisoteadas. Foi um enorme baque para os membros da banda que, a partir deste dia fatídico, redobraram o cuidado com a audiência de seus concertos.

Esse cuidado foi visto de perto por nós brasieliros em 2005, quando finalmente, após uma espera que parecia interminável, o grupo se apresentou no país pela primeira vez. Foi um total de cinco shows realizados nas cidades de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo (duas noites) e Rio de Janeiro. Eu estive na primeira noite em São Paulo e é mais do que óbvio dizer que aquele dia de 2 de dezembro foi inesquecível.




O show marcava a parte final da turnê do álbum “Riot Act”, lançado três anos antes. Foi espetacular testemunhar em loco aquilo que até então eu só havia visto em DVDs ou em raras oportunidades pela televisão. Uma emoção muito grande tomou conta da banda e da plateia presente, do início ao fim. 

Para a alegria de todos os fãs espalhados pelo mundo, de 2005 pra cá, o Pearl Jam ainda gravou mais dois cds. O auto-entitulado “Pearl Jam”, em 2006 e o mais recente, “Backspacer”, em 2009. Neste início de 2011, para celebrar os 20 anos de banda , um cd ao vivo (mais um dentre os vários já lançados) chamado “Live On Ten Legs” acaba de ser lançado. Este registro é mais uma pequena amostra do que significa o Pearl Jam. Uma amostra do poder de suas performances ao vivo, da riqueza das letras e da honestidade de cada um dos seus membros que, por todo esse tempo, vem fazendo o que mais gostam: boa música e remar contra a maré. Meus parabéns e obrigado, rapazes.







terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Otis Redding

Otis Redding: o desconhecido Rei do Soul




Minha relação com o soul e o blues é bem recente. Quando comecei a “consumir” música de forma mais dedicada, no longínquo ano de 1993, tudo o que me interessava era rock pesado e gangsta rap. Não aceitava praticamente nada que fugisse disso. Atribuo essa atitude a minha imaturidade na época. Normal. Eu tinha apenas 15 anos idade.

Com o passar dos anos fui aprendendo a apreciar outros tipos de rock e de rap e conhecer mais sobre a origem e influência dos artistas dos quais sou fã. Dessa forma comecei a escutar bandas e cantores mais antigos. Aqueles que faziam sucesso muito antes de eu nascer.


Especialmente no hip hop, sempre foi muito comum os DJs criarem batidas baseadas em canções de artistas de funk, soul e R&B dos anos 60 e 70 como James Brown e Marvin Gaye. Foi assim que fui me aproximando mais da tradicional música negra americana. E foi dessa forma que cheguei até o nome de Otis Redding. Eu me lembrava de já ter ouvido este nome antes. Sabia que era um artista das antigas e nada mais do que isso. Tudo começou a mudar quando eu ouvi o primeiro single do álbum gravado em dueto pelos rappers Jay-Z e Kanye West, lançado no ano passado. O nome da música era simplesmente “Otis” e, como o título já sugere, usava como base um sample de uma canção do cantor Otis Redding chamada “Try a Little Tenderness”. Decidi então iniciar uma “caça” a essa música.




Pesquisando na internet consegui achar a faixa em questão. Fantástica! Para minha felicidade, eu achei um vídeo da performance de Otis Redding interpretando “Try a Little Tenderness” e simplesmente pirei. Durante uma tarde inteira ouvi um mix de cerca de 30 músicas, sem parar. Espetacular!

A partir daí fui descobrindo tudo que podia sobre o cara. Descobri que Otis Ray Redding Jr. nasceu no dia 9 de setembro de 1941, na cidade de Dawson, no estado americano da Georgia e que, além de intérprete, era também um grande compositor que iniciou sua carreira por volta dos 19 anos de idade.

Otis atingiu um grande sucesso durante os anos 60 através de ótimas canções como “These Arms Of Mine”, “Respect”, “I Can’t Turn You Loose”, além de interpretações excelentes para as já clássicas na época, “Stand By Me”, originalmente gravada por Ben E. King, e “My Girl”, dos Temptations. Mas as faixas de maior sucesso da carreira de Otis entretanto foram a já citada “Try a Little Tenderness” e “(Sittin’ On) The Dock of the Bay”.




Todas essas músicas revelam um artista completo. O timbre único do seu vocal aliado a arranjos de altíssima qualidade resultaram em canções maravilhosas de soul e blues. Isso sem contar as letras muito bem escritas e capazes de “amolecer” o mais bruto dos corações. Não era à toa, portanto, que Otis também fosse conhecido como “The King of Soul”. Em cima do palco, ele demonstrava toda sua paixão pela música que fazia através de performances empolgantes e cheias de energia que frequentemente deixavam a público em êxtase. Isso sem falar da banda que o acompanhava mundo afora e conseguia reproduzir com extrema competência suas grandes composições.

Vocês certamente repararam que durante todo o texto eu sempre me refiro a Otis Redding com verbos conjugados no passado. Pois é. O mundo da música perdeu um dos seus maiores nomes de forma trágica no ano de 1967. O cantor tinha apenas 26 anos recém-completados quando o avião em que viajava caiu no lago Monona pouco antes de aterrissar na cidade de Madison, Wisconsin, onde faria mais um show pela sua turnê norte-americana. Otis havia sido avisado para adiar o vôo em função do péssimo clima naquela noite, com fortes chuvas e muita neblina. Infelizmente o cantor ignorou o conselho.

A morte precoce do King of Soul abalou fãs e outros artistas na época. Todos tinham noção do talento do artista e o quanto ele ainda poderia contribuir para a música. Como consolo, seus fãs ainda foram agraciados com quatro lançamentos póstumos entre 67 e 70. O primeiro deles incluiu exatamente um dos seus maiores sucessos, a já citada “(Sittin’ On) The Dock of the Bay”, que Otis havia registrado em estúdio dias antes de sua morte.




Mesmo assim, o passar dos anos mostrou que a perda repentina de The Big O não o transformou exatamente em uma lenda, como acontece com muitos artistas. Apenas os verdadeiros apreciadores de blues e soul ou aqueles mais curiosos (como foi o meu caso) acabaram tendo a noção da relevância que a obra deste cantor teve para a música americana e também mundial.

De qualquer forma, nunca é tarde para descobrir um grande artista. Eu não sei qual é seu estilo preferido de música. Também não sei se você prefere ouvir apenas novidades e não faz questão de valorizar o passado que é responsável por muitas das músicas feitas hoje em dia. Mas deixo aqui a minha sugestão. Otis Redding foi um artista fenomenal. Se você ouvir e não gostar, eu até entendo, mas vou achar estranho. Mas se você se emocionar como eu me emocionei, não será nenhuma surpresa. Ao contrário. Isso é sinal que você tem alma.


Clique para ver uma performance ao vivo de "Try a Little Tenderness"

Clique para ver um vídeo de "(Sittin' On) The Dock of the Bay"