segunda-feira, 30 de setembro de 2013

ROCK IN RIO V

Rock in Rio 2013. Salvo pelo metal!




Que o Rock In Rio não faz jus ao seu nome todo mundo sabe. Desde a segunda edição, há mais de 20 anos, isso já ficou bem claro quando o line up teve representantes típicos da música pop como George Michael e New Kids On the Block. Na verdade, nem vou discutir muito essa questão. O “dono da bola”, Roberto Medina, percebeu logo de cara que, se o festival re restringisse ao rock, fatalmente não alcançaria seu objetivo de atrair todo tipo de público para o evento e ingressos esgotados todos os dias gerando um lucro bem polpudo. Se ele está certo ou não, essa é uma outra discussão. Medina não é um Perry Farrell da vida. Nunca teve banda. Ele certamente deve gostar de música mas, antes disso, ele é um empresário. Portanto, tudo isso faz sentido.

Com o passar dos anos, como vocês bem sabem, o Rock in Rio foi se distanciando do seu lugar de origem. Várias edições foram realizadas em Lisboa e Madrid e, nas poucas edições nacionais, a programaçaão continuava recheada de aritstas dos mais variados estilos. Mas a noite do metal (ou apenas rock, se você preferir) sempre teve seu lugar cativo. E não é para menos. Em todos os RIR ocorridos no Brasil, os shows mais marcantes sempre foram os de rock. Foi assim na primeira edição em 85 com Queen e AC/DC, em 91 com o Guns N’ Roses, em 2001 com Iron Maiden e Foo Fighters, e ano retrasado com Metallica e Slipknot. E não é que isso se repetiu este ano?

Na minha humilde opinião, a programação do Rock In Rio deste ano foi decepcionante. Mesmo tirando as atrações que realmente não combinam com meu gosto musical, sobrou pouca coisa que realmente me interessasse. A princípio, os únicos shows que eu fazia questão de ver do início ao fim eram, em ordem cronológica, Alicia Keys, The Offspring, Muse, Metallica, Slayer e Iron Maiden. Convenhamos, muito pouco para um festival que teve mais de 80 apresentações nos palcos principais, Mundo e Sunset.


 Desses shows que eu mencionei, de fato gostei de todos. Mas quem me conhece já pode imaginar que considerei Metallica e Iron Maiden como os grandes destaques. As duas bandas são verdadeiros ícones do heavy metal. Mesmo quem não é fã do estilo sabe que não é nada incomum ver por aí homens, garotos e mulheres envergando com orgulho sua camiseta (surrada ou mais nova) de uma ou de outra. Metallica e Iron Maiden são o protótipo do metaleiro comum. São sinônimos de um gênero musical que tem em seus fãs um verdadeiro exército que segue seus ídolos de forma fiel e duradoura. Portanto, não é de se espantar que o show desses dois grupos tenham sido de excelente qualidade.

A banda norte-americana liderada pela dupla James Hetfield (guitarra e vocal) e Lars Ulrich (bateria) se apresentou na segunda semana do festival e logo de cara mandou “Hit the Lights”. Mais adiante, seguiu surpreendendo boa parte dos seus fãs incluindo no setlist faixas não muito comuns como “Holier Than Thou” e “...And Justice For All”. O encerramento já tradicional ficou por conta de “Seek And Destroy”, música de maior destaque do primeiro álbum dos caras que completa trinta anos agora em 2013.

Coube aos ainda mais veteranos do metal, os britânicos do Iron Maiden, encerrar o Rock In Rio 5. Cerca de deza anos mais velhos que os integrantes do Metallica, os integrantes do Maiden mais uma vez esbanjaram energia em cima do palco. É desnecessário dizer que o vocalista Bruce Dickinson  teve o público em suas mãos durante toda a perfomance. Inteligentemente, a banda capitaneada pelo baixista e letrista Steve Harris mesclou seu repertório com canções mais corriqueiras nos shows do grupo como “The Number of the Beast”, “2 Minutes to Midnight” e “Fear of The Dark”, com canções não menos clássicas mas menos executadas como “The Prisoner”, “Phantom of the Opera” e  “Afraid to Shoot Strangers”. Mais uma apresentação impecável da “Donzela de Ferro” para satisfação total das cerca de 80 mil pessoas presentes na Cidade do Rock.


 Eu não posso ignorar que outros shows fizeram sucesso durante o festival. Os fãs de Bruce Springsteen (que fez um show com quase três horas e duração) e de Bon Jovi (que eu fiz questão de não assistir um segundo sequer) provavelmente não tiveram nada do que reclamar. O mesmo se aplica a Justin Timberlake e John Mayer, por exemplo.

O fato é que, talvez com excessão a Springsteen, por tudo que foi comentado pela imprensa ou pelo que dei uma sapeada aqui e ali, nenhum outro show fora os dois que comentei com mais entusiasmo neste texto foi capaz de marcar a história do Rock In Rio. Faço questão de ressaltar mais uma vez que não acredito que o Rock In Rio devesse ser um festival estritamente de rock. É justamente por isso que hoje há espaço para o indie rock, através do Lollapalooza, para o metal, com o retorno do Monsters of Rock, e assim por diante.

De qualquer forma, só pelo tanto de vezes que ouvi de várias pessoas no meu trabalho a seguinte pergunta: “nossa...você viu o show do Metallica ontem?”, ficou mais do que evidente que o metal salvou o Rock in Rio 2013.







quarta-feira, 18 de setembro de 2013

TOP 5

Top 5 – Os maiores produtores da história

Para gravar um álbum, o artista não pode simplesmente entrar em um estúdio, pedir para um cara apertar “rec” e começar a cantar ou tocar seus instrumentos. Existe todo um processo por trás do registro de uma canção e, consequentemente, de um disco completo.

Cada banda, cantor, etc, tem uma identidade musical. Ou pelo menos deveria buscar uma. É preciso que seu trabalho soe de maneira coesa, com um arranjo bem equilibrado e com cada parte em seu lugar. Acontece que nem sempre esse artista tem condições de tomar essas decisões. Principalmente se ele for um iniciante. É aí que entra o produtor musical.

Este profissional tem o dom (além de ter estudado pra isso, é claro) de moldar o som de uma banda. Fazer com que ela soe mais suave ou mais pesada, mais polida ou mais “suja”. Este é um trabalho que demanda muita sensibilidade e entrosamento entre produtor e produzido. 

Muitas vezes surge uma química entre essas partes que acabam produzindo obras maravilhosas. Em algumas oportunidades, acredite, mesmo que os dois lados não se entendam, é possível que saia um bom trabalho. No pior dos cenários, produtor e artista entram em choque total, tudo tem que ser jogado no lixo e o jeito é começar do zero com uma outra pessoa na mesa de gravação.

Este mês eu mergulhei neste ambiente e, mais uma vez pesquisando aqui e ali, encontrei os maiores produtores da história. Muitos deles eu já conhecia e imaginava que estariam entre os melhores. Vários  outros nomes apareceram em todas as listas observadas, mas creio que os eleitos não deixam dúvidas. Entre eles está o meu favorito, que inclusive me inspira a, quem sabe um dia, enveredar por este caminho. Veja então quem são, na opinião deste humilde blogueiro, os cinco maiores produtores musicais de todos os tempos.








1º George Martin
O grande vencedor deste top 5 é um caso típico de química ideal entre produtor e artista. O inglês George Martin simplesmente é o produtor por trás de todos os álbuns dos Beatles. Considerado o maior fenômeno musical da história, o grupo dos quatro rapazes de Liverpool teve como grande marca a espetacular evolução musical que apresentaram no decorrer de seus quase 10 anos de atividade. A cada disco lançado os Fab Four iam progredindo a olhos vistos. Não se conhece nenhuma banda que progrediu tanto tecnicamente e liricamente como os Beatles. E George Martin sempre esteve por trás, ás vezes compondo arranjos de cordas ou mesmo de melodias vocais.  Ano após ano a banda lançava uma obra prima, sempre com o toque mágico do produtor. O único percalço desta parceria foi o álbum “Let It Be”, composto em meio a uma crise interna que viria a decretar o fim do grupo e por isso teve que ser re-produzido por um outro integrante desta lista que vocês verão logo mais. Os destaques do seu porfolio eu diria que são “Sgt Pepper Lonely Heart’s Club Band”, “The White Album” e “Abbey Road”. Ah...como se tudo isso não fosse o suficiente, Martin ainda produziu artistas como Jeff Beck, Cheap Trick e alguns discos do The Wings, banda de Paul McCartney pós Beatles.









2º Rick Rubin
Na introdução desta lista eu falei que meu produtor musical favorito havia conseguido um lugar entre os cinco eleitos. Bem. Aqui está ele: Rick Rubin. Este americano de 49 anos começou a se envolver com música no iníco dos anos 80 tocando em bandas de punk rock.  Apesar de ser amante de música e ter vasto conhecimento no assunto, seu talento como músico era limitado. Por isso acabou se tornando DJ. Assim como o rock, o hip hop também era sua paixão e por isso montou uma gravadora, a Def Jam  Records, para trabalhar com grupos de rap e, consequentemente, produzi-los. Foi assim que Rick iniciou uma carreira espetacular como produtor. O mais incrível foi como ele passeou entre os mais variados estilos, sempre com a mesma competência. Dentro do rock trabalhou com nomes como AC-DC, Red Hot Chili Peppers e Metallica. Já no hip hop, foi notabilizado por trabalhos espetaculares com os Beastie Boys, Run-DMC e Jay-Z. Mas fora desses gêneros, Rick Rubin contribuiu com o retorno triunfante do mestre do country Johnny Cash, nos anos 2000. Também nesta época, produziu as garotas country do Dixie Chicks e, mais recentemente, trabalhou com uma “tal de Adele”, que nem fez muito sucesso com seu álbum “21”. É incrível! Praticamente tudo que o cara põe a mão faz sucesso. Com seu jeitão zen, trabalhando muito mais a parte emocional do que técnica dos aritstas, Rick é, sem dúvida, um dos maiores produtores do mundo.











3º Quincy Jones
Produtor, maestro, arranjador, compositor de trilhas sonoras, produtor de televisão e trompetista. Querem mais? Ok. Ele produziu o álbum mais vendido de todos os tempos: “Thriller”, de Michael Jackson. Esse é Quincy Delight Jones Jr., natural de Chicago, nos Estados Unidos. Um gênio da música contemporânea que acompanhou grande parte da carreira de um dos maiores artistas de todos os tempos. Antes de “Thriller”, Quincy Jones já havia produzido o álbum anterior de Michael, a obra-prima soul/disco/funk “Off The Wall”, lançado em 1979, e ainda produziria o sucessor do álbum multi-platinado,  o também excelente “Bad”, de 1987. Além da extremamente bem sucedida parceria com o rei do pop, Jones trabalhou com artistas do quilate de Aretha Franklin, Frank Sinatra e Donna Summer. E como se tudo isso ainda não fosse suficiente, Jones foi o produtor/arranjador do clássico “We Are The World”, uma música composta para o álbum “USA For Africa”, de 1984, criado para arrecadar fundos para a população da Etiópia. A canção foi gravada por uma verdadeira constelação de artistas como Michael Jackson, Lionel Ritchie (compositores da canção), Stevie Wonder, Ray Charles, Bruce Springsteen, Bob Dylan e muitos outros. Deem uma olhada no clipe dessa música e vocês verão a “fera” regendo os cantores. Uma lenda e fim de papo.










4º Phil Spector
Esse é, sem dúvida, o mais polêmico dos cinco produtores eleitos neste top 5. Um dos pioneiros do som das “girl-groups” dos anos 60, este novaiorquino do Bronx foi responsável pela produção de vários hits durante os anos 60. Um dos seus grandes méritos foi ter criado o “Wall of Sound” ou “Parede de Som”, uma técnica de produção usada até hoje por muitos profissionais do ramo que consiste em gravar vários instrumentos em uníssono, como guitarras ou um naipe de metais, ajudando assim a encorpar mais o arranjo de uma canção. Mas, provavelmente, seu trabalho mais relevante tenha sido a re-produção do álbum “Let It Be” dos Beatles (aquele que eu citei no trecho sobre George Martin). O som do álbum ficou fantástico! Puro, orgânico. Experimente ouvir todo o disco com fones de ouvido e talvez você tenha a impressão de estar ouvindo uma apresentação ao vivo. Nos anos 70 Spector seguiu trabalhando com grandes artistas como John Lennon e George Harrison em seus trabalhos solo. Durante os anos 80 e 90 caiu no ostracismo e praticamente se afastou da música. Só apareceu com destaque produzindo em 1980 o álbum “End Of The Century” dos Ramones. O pior viria muitos anos depois, exatamente no dia 3 de fevereiro de 2003, quando Phil Spector assassinou a atriz Lana Clarkson em sua mansão em Long Beach. O produtor acabou sendo condenado e preso em 2009 e passou a cumprir desde então uma pena de dezenove anos.











5º Dr. Dre
Chegamos ao final deste top 5 com um representante mais do que digno da música atual. O californiano Andre Young se destacou pela primeira vez na música quando era um dos membros do N.W.A., grupo pioneiro de “gangsta rap” que fez grande sucesso entre o final dos anos 80 e início dos 90. Após o fim do N.W.A., Dr. Dre saiu em carreira solo e se tornou ainda mais bem sucedido. Ao lado de seus eternos parceiros, Snoop Dogg e o saudoso Tupac Shakur, ele era um dos pilares que formavam o que poderíamos chamar de “santíssima trindade” do rap americano e mundial durante boa parte dos anos 90. Paralelamente a sua carreira como performer, Dre começou a desenvolver suas habilidades como produtor musical. Aos poucos ele foi deixando de lado o desejo de estar o tempo todo em cima do palco e passou a se dedicar a composição de batidas incríveis a serem utilizadas pelos novos talentos que ele mesmo identificava no rap norte-americano. Artistas multi-platinados como Eminem e 50 Cent foram descobertos por Dre e tiveram vários de seus álbuns produzidos por ele. No meio do rap e do R&B e até da música pop, Andre é tido como um gênio. Além dos já citados, o cara trabalhou com artistas gabaritados como Jay-Z, Nas, Alicia Keys e Gwen Stefani . Apesar do enorme sucesso como produtor, ele ainda faz alguns shows e deve lançar em breve, o longamente aguardado álbum intitulado “Detox”. É esperar pra ver o que vem por aí.



Alguns nomes de produtores citados várias vezes nas listas pesquisadas ficaram de fora da lista final, mas merecem uma menção honrosa.  Da “velha-guarda” temos: Sam Philips (Elvis Presley), Brian Eno (U2), Lee “Scratch” Perry (Bob Marley), George Clinton (Funkadelic), Mutt Lange (AC/DC), Bob Ezrin (Kiss) e Prince. Entre os “novatos” temos:  Butch Vig (Nirvana ), Trent Reznor (Nine Inch Nails), Timbaland (Lil Wayne),  Mark Ronson (Amy Winehouse), Kanye West (Jay-Z), Babyface (Madonna), The Neptunes (Alicia Keys), Danger Mouse (The Black Keys) e Nigel Godrich (Radiohead), só para citar alguns.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Arctic Monkeys

Arctic Monkeys: evolução musical tem limite?


E lá vou eu para mais um review de um álbum da banda Arctic Monkeys. Este é o terceiro álbum deste grupo britânico que eu humildemente analiso. O primeiro foi o surpreendente “Humbug” de 2009. Depois veio o excessivamente leve “Suck it And See”, de 2011. Agora é a vez de “AM” lançado no último dia 9 de setembro.

O título do trabalho é simples, mas o “approach” de Alex Turner e seus parceiros é pra lá de ousado. “AM” é puro groove. Isso mesmo. O próprio vocalista da banda declarou em entrevista à revista inglesa New Musical Express há alguns meses que o novo trabalho do Arctic Monkeys teria uma pegada hip hop (!!!). Acho que ele quis dizer que seria uma coleção de canções feitas para dançar. Isso quer dizer então que é um disco divertido e agradável de se ouvir? Hmmm...mais ou menos.

O começo é arrebatador. A faixa inicial e primeiro single lançado, “Do I Wanna Know”, simplesmente não sai da minha cabeça. Um riff esperto que casa perfeitamente com uma linha vocal igualmente criativa permea toda a faixa. É uma canção que tem seu peso, mas também  bem “dançável". Logo em seguida vem uma música que já é “velha conhecida” dos fãs do Arctic Monkeys. “R U Mine” foi lançada inicialmente em 2012 como um single especial para o “Record Store Day”. Fez tanto sucesso que acabou sendo incluída no novo trabalho. Essa foi outra canção que me conquistou logo de cara com seu riff pegajoso e refrão com vocalização em falsete, técnica que vem sendo cada vez mais utilizada nas composições da banda.


A terceira faixa, “One For the Road”, tem um ritmo mais cadenciado que as anteriores e é seguida por “Arabella”, onde as guitarras pesadas aparecem novamente e fazem todo mundo que a ouve pela primeira vez lembrar automaticamente de “War Pigs”, do Black Sabbath. Sim! Black Sabbath! Há quem diga que ficou uma imitação descarada. Ok. Lembra muito! Mas, no geral, a música ficou boa e é, sem dúvida, um dos destaques do LP.

A partir daí , “AM” começa uma derrocada que eu não esperava. O rock básico “I Want it All” talvez seja o último realmente bom momento do álbum. Mais uma vez vemos os vocais em falsete - lembrando inclusive Dan Auerbach do The Black Keys em “Everlasting Light” - que dão um toque interessante a canção. Mas na sequência vem as baladas “No. 1 Party Anthem” e “Mad Sounds”. Ambas fracas, não chegam aos pés da belíssima “Cornerstone”, do álbum  “Humbug”.

Das últimas quatro canções, a única que se salva é “Why’d You Only Call Me When You’re High?”. Bem divertida e certamente a mais dançante de “AM” (vale a pena conferir o divertido videoclipe feito para a faixa). As outras três são tentativas exageradas dos caras de fazer um som diferente de tudo que haviam feito até então. Nem a participação de Josh Homme (do Queens of The Stone Age) em “Knee Socks” ajuda a tornar esta parte final do álbum mais interessante. Em todas elas a pegada “groovy” continua, mas a banda esbarra na falta de uma maior experiência na área do “dance rock”. Por isso o que se vê são canções “inofensivas” que carecem da energia que sobra em grupos especialistas no estilo como Bloc Party e Franz Ferdinand.


Depois de uma teimosia que durou alguns anos, eu finalmente parei de comparar os álbuns mais recentes do Arctic Monkeys com seu primeiro e ultra-bem-sucedido disco de estreia  - “Whatever Peaple Say I Am, That’s What I’m Not”- . Eu entendo que em 2006 eles mal haviam saído da adolescência e, a partir dali, eles certamente amadureceriam e evoluiriam musicalmente, como aconteceu com o Silverchair, por exemplo, e tem acontecido com eles mesmos. Mas talvez até evolução musical tenha limite. Na ânsia por compor canções, digamos, diferenciadas, o grupo acabou criando um álbum que tem um grande “gap de qualidade”. É possível encontrar em “AM” músicas fantásticas que já se encaixam perfeitamente com o resto do repertório dessa “jovem banda veterana” e, ao mesmo tempo, músicas que se perdem no afã de dar um passo adiante, musicalmente falando.

Apesar da minha decepção com talvez quarenta porcento deste LP, uma vantagem ele tem em relação ao seu desanimado antecessor. Eu não deverei pensar duas vezes antes adquiri-lo assim que chegar às lojas por aqui. Isso é pra vocês terem uma ideia do tamanho da disparidade entre suas músicas. Eu gostei deste disco quase tanto quanto desgostei. Se é que isso é possível. A verdade é que eu sou fã do Arctic Monkeys o suficiente para que eu ainda suporte mais alguns álbuns irregulares nos próximos anos. 





segunda-feira, 5 de agosto de 2013

NIN is back!



A grande volta do Nine Inch Nails 




Em 2009 eu escrevi um texto sobre o encerramento por tempo indeterminado das atividades de uma das maiores bandas de rock que o mundo já viu. Exagero? Não para mim e para alguns fãs que conheço por aí. Estou me referindo ao Nine Inch Nails.

Este grupo de rock alternativo (industrial, experimental, chame do que quiserem), ficou cerca de quatro anos totalmente inativo. Na verdade, seu líder/faz tudo, Trent Reznor, foi quem resolveu “dar um tempo” para se dedicar a outros projetos. Entre eles, a composição da trilha sonora do filme “Rede Social”, em parceria com o produtor e amigo Atticus Ross e pela qual ganhou um Oscar em 2011.

Eis que então veio a surpresa. Em 2012, quando tudo indicava que ele seguiria com sua nova banda, How to Destroy Angels, onde tocava com sua esposa, Reznor começou a dar indícios  de que o Nine Inch Nails estaria preparando um retorno. Os indícios foram se tornando fatos cada vez mais concretos e nos primeiros meses de 2013, o vocalista anunciou que um novo álbum estava quase finalizado. Pouco tempo depois foram revelados os nomes dos músicos que se juntariam a ele em turnê. Pronto. O Nine Inch Nails oficialmente estava de volta.

 

O último passo antes de “colocar a mão na massa” novamente foi divulgar o nome do novo LP, “Hesitation Marks”, e o primeiro single do mesmo, “Come Back Haunted”. A largada para a nova turnê se deu precisamente no dia 26 de julho, na cidade de Niigata, no Japão, onde o Nine Inch Nails subiu ao palco novamente como uma das principais atrações do Fuji Rock Festival e entregou ao público uma performance absolutamente fantástica.

O NIN é conhecido por unir de forma extremamente competente os elementos áudio e visual em todas as suas turnês. Para este retorno, Trent Reznor prometia mais uma vez arrebatar os espectadores com efeitos de luzes e sombras que criariam a atmosfera perfeita para cada uma das canções executadas. E foi exatamente isso que aconteceu.

O show começou logo de cara com “Copy A”, uma música nova que mostrou uma pegada bem eletrônica. Em seguida vieram “Sanctified”, do primeiro álbum dos caras, e “Come Back Haunted”. Este início parecia realmente um show de música eletrônica, com todos os integrantes da banda posicionados na frente do palco e tocando instrumentos como bateria eletrônica, teclados e programadores de samples. Genial!



 A partir daí entraram os instrumentos tradicionais e a apresentação seguiu como de costume: guitarras, baixo cheio de efeitos, batidas frenéticas e o vocal ainda impecável de Trent Reznor. E como se ainda não fosse o suficiente, somou-se a tudo isso a performance insana do jovem baterista Ilan Rubin. Especialmente durante a execução de “Piggy”.

Fica difícil destacar um ponto alto do show. A banda foi constante do início ao fim e a plateia japonesa, que não é conhecida pela empolgação típica do público latino, por exemplo, se manteve em um estado misto de letargia durante cada música e só vibravam entre um número e outro. Talvez estivessem hipnotizados com o que viam em cima do palco.

Após mesclarem de forma inteligente as canções de todas as fases de sua carreira com as canções a serem lançadas no novo trabalho, o show foi finalizado com a clássica “Hurt”, daquele que provavelmente é o disco mais elogiado da banda, “The Downward Spiral”, de 1994. Encerramento perfeito.




Ainda boquiaberto com o que vi durante pouco mais de 90 minutos, só uma coisa veio à minha mente: “preciso ver esses caras ao vivo”. Eu já consegui ver muitas das minhas bandas preferidas in loco. Depois do show do Rage Against the Machine e do Foo Fighters achei que não havia sobrado mais nenhuma. Mas pelo visto eu estava enganado.

Mais uma vez ficou claro pra mim que um show do Nine Inch Nails deve ser uma experiência inigualável. Não quero comparar com os espetáculos megalomaníacos do Pink Floyd, nem com o exagero desnecessário do U2. Apenas acredito que deva ser uma oportunidade singular de testemunhar a apresentação de uma banda que, através de seu líder, sempre tentou dar um passo a frente com relação aos demais artistas. A turnê do NIN está apenas começando. Quem sabe em 2014 os caras não aparecem por aqui? Caso isso se confirme, se você  topar embarcar nessa viagem, fatalmente vai se encontrar comigo.

Setlist:

Copy of A
Sanctified
(Altered version)
Came Back Haunted
1,000,000
March of the Pigs
Piggy
The Frail
The Wretched
Terrible Lie
Closer
(With snippet of The Only Time)
Gave Up
Help Me I Am in Hell
Me, I'm Not
Find My Way
What If We Could?
(Trent Reznor and Atticus Ross cover)
The Way Out Is Through
Wish
Survivalism
Only
The Hand That Feeds
Head Like a Hole
Hurt  



quinta-feira, 11 de julho de 2013

QUEENS OF THE STONE AGE



Novo álbum do QOTSA agrada, mas economiza no peso





No segundo dia da edição brasileira do festival Lollapalooza, realizado este ano, o show mais impactante foi o do Queens of the Stone Age.  A banda liderada pelo gênio Josh Homme entregou ao público uma performance destruidora e este devolveu o presente em forma de muito entusiasmo e ovação ao final da apresentação.  


Este show foi o primeiro do QOTSA depois de uma longa pausa que incluiu a produção de um álbum novo. As grandes novidades foram as estreias do novo baterista, o ex-Mars Volta Jon Theodore, e de uma canção nova chamada “My God is the Sun”. E que música! Uma porrada típica deste grupo californiano. Pesada, mas não tão rápida. Suja, mas tecnicamente quase perfeita. Isso só me fez crer que, dali a alguns meses, os fãs teriam nas mãos mais uma obra-prima talhada por Josh Homme e seus comparsas. Bem. Foi quase isso.


No dia 3 de junho, finalmente foi lançado o aguardadíssimo “...Like Clockwork”. Sexto disco da carreira do Queens, que sucedeu após longos seis anos o trabalho anterior “Era Vulgaris”.  Ainda não lançado no Brasil, faz apenas alguns dias que eu consegui ouvir o álbum do início ao fim. À primeira audição, “...Like Clockwork” me causou certa estranheza. Não que isso seja exatamente uma novidade. Já que este grupo, em quase todos os seus discos (uns mais que outros), carrega nos arranjos intrincados, jams, interlúdios, etc. 


 Acontece que, mesmo ciente disso, para o meu gosto pessoal, o disco saiu mais experimental do que eu imaginava. Talvez empolgado com a pegada de “My God is the Sun” eu esperava um álbum baseado nessa linha mais agressiva. Mas o que se vê em quase todas as faixas é um clima mais ameno, alternando com passagens mais “violentas”. Músicas como “Keep Your Eyes Peeled” e “The Vampyre of Time and Memory” são exemplos claros dessa tendência do álbum.  


O vocalista, gutarrista e produtor Josh Homme sempre costuma chamar alguns artistas/amigos para participar de seus trabalhos.  É notória por exemplo a participação de Dave Grohl na bateria e de Mark Lanegan nos vocais do espetacular disco “Songs For the Deaf”, de 2002. Mas em “…Like Clockwork” ele formou uma verdadeira constelação. Elton John, Trent Reznor, Alex Turner (vocalista do Arctic Monkeys), Nick Oliveri (ex-baixista do próprio QOTSA) e, mais uma vez, seu eterno parceiro Dave Grohl são os principais nomes. 


Entretanto,a faixa “If I Had a Tail”, que reuniu o power trio de luxo Turner, Olivieri e Grohl, causou uma certa decepção. A canção é cadenciada demais. Eu esperava mais peso do começo ao fim, mas isso só acontece na parte final. Uma pena, pois estava ansioso para ouvir Homme e Alex Turner dividindo os vocais.


 Já a faixa “Kalopsia”, que conta com o líder do Nine Inch Nails, Trent Reznor, não supreeendeu pela sua estranheza. Ela alterna partes bem calmas com outras bem pesadas, que agradaram muito mais. Como diria Beavis (da dupla do desenho animado politicamente incorreto Beavis and Butt-Head), por que eles não tocam a parte legal o tempo todo? Enfim...


As músicas que, ao meu ver, realmente se destatacam neste disco são as mais agitadas como “I Sat By the Ocean”, “Smooth Sailing”, “I Appear Missing”, além da já citada “My God is the Sun”, certamente a melhor do disco. Mas uma canção que faz parte da porção mais lenta do álbum acabou chamou muito a atenção. “Fairweather Friends” conta com o piano fantástico de Elton John, deixando o arranjo da música ainda mais rico. O vocal impecável de Josh Homme contribui para fazer dela um dos pontos altos de “...Like Clockwork” que é encerrado com a monótona e esquecível faixa-título.


No fim das contas, “...Like Clockwork” é um bom disco de rock. Muito bem prioduzido por Homme, com arranjos intrigantes e rebuscados, como praticamente todo o repertório do QOTSA. Mas ficou aquela leve decepção por faltar um pouco de “sujeira” e peso, que também são elementos cruciais nas músicas do grupo.


 Conversando com um amigo que gostou muito do álbum, concluí que esse é mais um daqueles casos que temos que ouvir o disco algumas vezes para “entendê-lo” melhor com o passar do tempo. Definitivamente não é uma coleção de músicas que te causam impacto logo de cara. Esse é o tipo de álbum mais para se admirar do que para “bater cabeça”, por exemplo. Por isso classifico este LP como um dos bons momentos da carreira do grupo, mas que não ameaça o posto de melhor disco do repertório dos caras, que ainda é ocupado de forma soberana pelo já mencionado “Songs For the Deaf”. Mas eu vou continuar escutando-o mesmo assim. Afinal, por todos os bons serviços prestados ao rock durante tantos anos, Josh Homme e suas estrelas tem crédito de sobra.
  

Clique aqui para ouvir "My God Is he Sun"

Clique aqui para ouvir "Fairweather Friends"

Clique aqui para ouvir "Keep Your Eyes Peeled"
 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

TOP 5

Top 5 - Músicas que marcaram minha vida

É muito difícil encontrar alguém que não tenha nenhum tipo de ligação com música. Para alguns a música é uma das coisas mais importantes que existe. Para outras, é apenas um acompanhamento para algum momento específico como uma viagem de carro ou uma distração dentro do ônibus ou do metrô.

O fato é que, se a gente puxar pela memória, é possível escolher algumas canções que marcaram nossas vidas de alguma forma.  Uma música que lembra a infância, uma viagem especial, uma pessoa especial. Enfim. Algo que a gente vai guardar para sempre.

Nesta lista destaco as músicas que, por alguma razão, me marcaram mais até hoje. Algumas que eu gosto muito ficaram de fora. Mas creio que as escolhidas tem todos os motivos para estar entre as minhas cinco preferidas.








1º “Smells Like Teen Spirit” – Nirvana (1991)
Nas primeiras vezes que ouvi falar de Nirvana eu imaginava que era uma banda extremamente pesada, impossível de se ouvir. Na verdade eu não conhecia nada de rock, nada de música que não fosse as que tocavam nas famigeradas rádios FM.  Um belo dia, meu amigo me mostrou um cd com um bebê na capa, nadando atrás de uma nota de um dólar. Foi aí que tudo mudou. O álbum em questão era o “Nevermind”. Todas as doze faixas são ótimas, mas “Smells Like Teen Spirit”, a primeira delas, era especial. A partir do momento que ouvi aqueles quatro acordes da introdução minha vida mudou pra sempre. Ouvia a música várias vezes, todos os dias. Definitivamente, esta é a canção que simboliza a grande mudança na maneira que eu enxergo música como um todo. Música pra mim passou a ser um estilo de vida, uma maneira especial de encarar as coisas.  É a principal trilha da minha vida e fim de papo.









2º “This Love” – Pantera (1992)
Na mesma época que eu ouvi o álbum “Nevermind” pela primeira vez eu também vi um clipe que me chamou a atenção. Era um cara de cabeça raspada, cara de mau e que berrava alucinadamente no refrão. Estou falando de Philip Anselmo, vocalista da minha banda favorita, o Pantera. Aquele vídeo me impressionou tanto pelas imagens quanto, é claro, pela música. Uma espécie de canção de amor para homens brutos. Diferentemente do Nirvana, o Pantera não era uma banda estourada na mídia. Por isso demorou um pouco  até que eu tivesse o disco que continha “This Love” em minhas mãos. Isso só foi acontecer cerca de um ano depois, quando minha mãe comprou pra mim no Mappin (alguém sabe o que é Mappin?) o cd “A Vulgar Display of Power”. Foi o primeiro cd que eu tive e também foi um marco na minha vida porque jamais imaginei que fosse gostar de um som tão extremo quanto aquele. Até hoje, aquele metal que muitos passam longe, me ajuda nos momentos em que preciso liberar o estresse.









3º “Fim de Semana no Parque” – Racionais MCs (1993)
Essa música tem uma importância ainda maior que a minha “formação musical”. O rap pra mim era só mais um estilo musical ao qual eu era pouco familiarizado. Conhecia apenas umas três músicas cantadas pelos poucos artistas do gênero que se destacavam na época, sendo que todas elas falavam de mulheres ou de dar um “rolê” pelas ruas. Até que mais ou menos no início de 1994 eu ouvi em alguma estação de rádio um som chamado “Fim de Semana no Parque”. Aquilo sim era rap! Vocais agressivos, letras, ídem. Pela primeira vez eu estava ouvindo alguém falar sem pudores da vida na periferia, dos problemas com a polícia, racismo, etc. Descobri que os autores daquele rap eram os Racionais MCs. Não demorou muito para que eu comprasse o cd dos caras e então ter um verdadeira aula que me ensinou a ter orgulho de ser negro, de como se portar com atitude digna perante qualquer situação e contestar aquilo que é errado na sociedade. “Fim de Semana no Parque” e os Racionais certamente moldaram meu caráter.










4º “Jeremy” – Pearl Jam (1991)
Em um texto que escrevi para no ano retrasado sobre os 20 anos do Pearl Jam eu começo descrevendo justamente a introdução desta música.  Falei da linha de baixo hipnótica que prende sua atencão logo de cara, dos outros instrumentos entrando em uníssono e do vocal marcante de Eddie Vedder. Sim! O Pearl Jam entrou naquele momento na minha lista de bandas favoritas para nunca mais sair. Rock and Roll autêntico, associado a letras com as quais muitos de nós podem se identificar, se você é fa de Pearl Jam, certamente existem pelo menos meia dúzia de canções que marcaram algum momento da sua vida.  No meu caso, como “Jeremy” foi a primeira que escutei deles, passou a ser uma das cinco músicas mais importantes pra mim.









5º “Banquet” – Bloc Party (2005)
Essa música é bem mais recente que todas as outras que compõem esta lista. Após anos ouvindo praticamente as mesmas bandas, naturalmente comecei a buscar novidades. Por volta de 2004, 2005 as chamadas bandas indies estavam ganhando mais espaço na mídia. Foi assim que acabei vendo o clipe da música “Banquet”. Achei o som interessante. Uma espécie de The Cure do século XXI, devidamente modernizado com alguns sintetizadores. Logo em seguida fiz minha primeira viagem ao exterior. Mais precisamente, a Londres. Essa viagem ampliou ainda mais meus horizontes porque passei a prestar mais atenção nas várias bandas inglesas que vinham surgindo quase que a cada semana. A partir de “Banquet”, do álbum de estreia dos britânicos do Bloc Party, abriu-se um enorme leque pra mim. Arctic Monkeys, The Libertines, The Strokes, The Killers, Franz Ferdinand. Quase todas elas bandas novas e britânicas que deram uma bela incrementada no meu gosto musical e aumentaram sensivelmente minha até então envelhecida coleção de cds. 



segunda-feira, 10 de junho de 2013

BLACK SABBATH - 13

Black Sabbath: os pais do metal estão de volta


Foram quase 35 anos de espera. Precisamente no dia 28 de setembro de 1978, a banda pioneira de heavy metal lançava “Never Say Die!”, o álbum que seria o último com a formação original até então.

Durante este longo período dezenas de músicos passaram pelo grupo. Só vocalistas foram sete! Apenas em duas oportunidades os quatro membros fundadores do Black Sabbath haviam se reunido até então. Em 1985, para uma apresentação isolada no festival Live Aid, e doze anos depois, quando efetivamente saíram em turnê e gravaram um disco ao vivo que incluiu uma única faixa inédita chamada “Psycho Man”.

Mas foi apenas agora no ano de 2013 que o sonho de muitos fãs finalmente se tornou realidade. O Black Sabbath acaba de lança hoje “13”, o décimo nono trabalho da longa carreira de 45 anos do grupo e o primeiro com Ozzy Osbourne nos  vocais depois de mais de três décadas. O disco foi liberado para audição em streaming no iTunes poucos dias antes do seu lançamento. E o que eu ouvi foi uma verdadeira obra prima da música pesada.


O Sabbath sempre foi uma banda marcada por suas letras polêmicas. Em várias músicas Ozzy aborda de forma ousada a relação entre o homem, Deus e o diabo. Em razão disso, muitos rotularam o Black Sabbath como uma banda satanista. Algo veementemente negado pelos seus membros. 

Eu me lembro de ter ficado bem espantado quando ainda era moleque e ouvi pela primeira vez a música “Black Sabbath”, do primeiro disco dos caras, na versão gravada pela banda Type O Negative para o tributo “Nativity In Black”. Mas havia mais do que letras assustadoras. Os britânicos não raramente tratavam também de temas políticos e guerras. Talvez o maior exemplo disso seja a música “War Pigs”, do álbum “Paranoid”, que fala sobre generais que se reúnem para planejar como vão massacrar a população mundial.

Mas voltemos ao novo álbum. “13” inicia como um típico álbum do Sabbath. Uma introdução bem fúnebre estabelece o clima perfeito para a primeira faixa “End of the Beginning”. Esta faixa de abertura mostra o tom do que vem a ser praticamente todo o disco: os riffs de guitarra matadores de Tony Iommi, muito bem acompanhados pelo pulsante baixo de Geezer Butler. Na bateria se destaca o “jovem” Brad Wilk. Sim. Ele mesmo. O responsável pelas baquetas do Rage Against the Machine tocou bateria em “13” depois que o “titular” da posição, Bill Ward, resolveu pular fora deste retorno devido a discordâncias com o contrato firmado para este novo projeto. Brad se encaixou perfeitamente com o resto do grupo e fez um trabalho digno de nota, mostrando uma técnica que não chegamos a ver na sua banda principal.


A segunda música do cd é “God is Dead?”. Esta canção já nasceu polêmica por motivos óbvios. O título desafiador serve para ilustrar do que se trata letra. Nela Geezer questiona o caos que o mundo vive e hoje e, em desespero, vocifera no refrão: “I don’t believe that God is dead! God is dead?”. Musicalmente, esta faixa começa um pouco mais cadenciada e vai crescendo ao longo de seus quase nove minutos de duração. É o primeiro single do álbum e foi muito bem escolhido. Confesso que fiquei de boca aberta quando ouvi pela primeira vez.

Na sequência vem “Loner”. Uma música que faz cair um pouco o nível de excelência de “13”, mas que não chega a ser ruim. Não sei se foi impressão minha, mas o riff principal me lembra muito o de “N.I.B”, canção do homônimo disco de estreia da banda. Já “Zeitgeist” é a “irmã gêmea” de “Planet Caravan”, do disco “Paranoid”. Ou seja, uma balada bem tranqüila com uma base composta por violão e percussão minimalista.

A metade final de “13” traz como grande destaque a faixa “Live Forever”. Certamente é a mais pesada de todo o disco e conta com um solo fantástico de Iommi. “Age of Reason” é apenas razoável e a dupla “Damaged Soul” e “Dear Father” encerram o cd de forma brilhante. Ao final desta última, para mais uma vez nos passar aquele clima de filme de terror, surgem sons de um sino de igreja, chuva e trovões. Assustador e magnífico ao mesmo tempo.
No fim das contas, “13” é um excelente álbum de metal, que segue a antiga fórmula que os fãs aprenderam a gostar há muitos anos e que influenciou várias bandas do gênero, desde o poderoso Metallica até o obscuro Corrosion of Conformity.


É claro que a roupagem dada as canções não é a mesma de 40 anos atrás. O toque de modernidade, sem tirar a essência do Black Sabbath, foi dado por ninguém menos que Rick Rubin. Um produtor que, na minha humilde opinião, é um dos melhores produtores musicais da história. Só ele mesmo para contribuir fundamentalmente com um trabalho excelente e que eu tenho certeza que vai de encontro ao anseio de tantos “metaleiros” que aguardaram longamente mais uma pérola dos pais do metal.


Estes mesmos metaleiros terão a preciosa chance de ver o Black Sabbath ao vivo aqui no Brasil, no mês de outubro, quando a banda se apresentará nas cidades de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.  Portanto, prepare seu bolso e separe sua camiseta preta para participar de uma grande celebração do mais puro heavy metal.