quinta-feira, 11 de julho de 2013

QUEENS OF THE STONE AGE



Novo álbum do QOTSA agrada, mas economiza no peso





No segundo dia da edição brasileira do festival Lollapalooza, realizado este ano, o show mais impactante foi o do Queens of the Stone Age.  A banda liderada pelo gênio Josh Homme entregou ao público uma performance destruidora e este devolveu o presente em forma de muito entusiasmo e ovação ao final da apresentação.  


Este show foi o primeiro do QOTSA depois de uma longa pausa que incluiu a produção de um álbum novo. As grandes novidades foram as estreias do novo baterista, o ex-Mars Volta Jon Theodore, e de uma canção nova chamada “My God is the Sun”. E que música! Uma porrada típica deste grupo californiano. Pesada, mas não tão rápida. Suja, mas tecnicamente quase perfeita. Isso só me fez crer que, dali a alguns meses, os fãs teriam nas mãos mais uma obra-prima talhada por Josh Homme e seus comparsas. Bem. Foi quase isso.


No dia 3 de junho, finalmente foi lançado o aguardadíssimo “...Like Clockwork”. Sexto disco da carreira do Queens, que sucedeu após longos seis anos o trabalho anterior “Era Vulgaris”.  Ainda não lançado no Brasil, faz apenas alguns dias que eu consegui ouvir o álbum do início ao fim. À primeira audição, “...Like Clockwork” me causou certa estranheza. Não que isso seja exatamente uma novidade. Já que este grupo, em quase todos os seus discos (uns mais que outros), carrega nos arranjos intrincados, jams, interlúdios, etc. 


 Acontece que, mesmo ciente disso, para o meu gosto pessoal, o disco saiu mais experimental do que eu imaginava. Talvez empolgado com a pegada de “My God is the Sun” eu esperava um álbum baseado nessa linha mais agressiva. Mas o que se vê em quase todas as faixas é um clima mais ameno, alternando com passagens mais “violentas”. Músicas como “Keep Your Eyes Peeled” e “The Vampyre of Time and Memory” são exemplos claros dessa tendência do álbum.  


O vocalista, gutarrista e produtor Josh Homme sempre costuma chamar alguns artistas/amigos para participar de seus trabalhos.  É notória por exemplo a participação de Dave Grohl na bateria e de Mark Lanegan nos vocais do espetacular disco “Songs For the Deaf”, de 2002. Mas em “…Like Clockwork” ele formou uma verdadeira constelação. Elton John, Trent Reznor, Alex Turner (vocalista do Arctic Monkeys), Nick Oliveri (ex-baixista do próprio QOTSA) e, mais uma vez, seu eterno parceiro Dave Grohl são os principais nomes. 


Entretanto,a faixa “If I Had a Tail”, que reuniu o power trio de luxo Turner, Olivieri e Grohl, causou uma certa decepção. A canção é cadenciada demais. Eu esperava mais peso do começo ao fim, mas isso só acontece na parte final. Uma pena, pois estava ansioso para ouvir Homme e Alex Turner dividindo os vocais.


 Já a faixa “Kalopsia”, que conta com o líder do Nine Inch Nails, Trent Reznor, não supreeendeu pela sua estranheza. Ela alterna partes bem calmas com outras bem pesadas, que agradaram muito mais. Como diria Beavis (da dupla do desenho animado politicamente incorreto Beavis and Butt-Head), por que eles não tocam a parte legal o tempo todo? Enfim...


As músicas que, ao meu ver, realmente se destatacam neste disco são as mais agitadas como “I Sat By the Ocean”, “Smooth Sailing”, “I Appear Missing”, além da já citada “My God is the Sun”, certamente a melhor do disco. Mas uma canção que faz parte da porção mais lenta do álbum acabou chamou muito a atenção. “Fairweather Friends” conta com o piano fantástico de Elton John, deixando o arranjo da música ainda mais rico. O vocal impecável de Josh Homme contribui para fazer dela um dos pontos altos de “...Like Clockwork” que é encerrado com a monótona e esquecível faixa-título.


No fim das contas, “...Like Clockwork” é um bom disco de rock. Muito bem prioduzido por Homme, com arranjos intrigantes e rebuscados, como praticamente todo o repertório do QOTSA. Mas ficou aquela leve decepção por faltar um pouco de “sujeira” e peso, que também são elementos cruciais nas músicas do grupo.


 Conversando com um amigo que gostou muito do álbum, concluí que esse é mais um daqueles casos que temos que ouvir o disco algumas vezes para “entendê-lo” melhor com o passar do tempo. Definitivamente não é uma coleção de músicas que te causam impacto logo de cara. Esse é o tipo de álbum mais para se admirar do que para “bater cabeça”, por exemplo. Por isso classifico este LP como um dos bons momentos da carreira do grupo, mas que não ameaça o posto de melhor disco do repertório dos caras, que ainda é ocupado de forma soberana pelo já mencionado “Songs For the Deaf”. Mas eu vou continuar escutando-o mesmo assim. Afinal, por todos os bons serviços prestados ao rock durante tantos anos, Josh Homme e suas estrelas tem crédito de sobra.
  

Clique aqui para ouvir "My God Is he Sun"

Clique aqui para ouvir "Fairweather Friends"

Clique aqui para ouvir "Keep Your Eyes Peeled"
 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

TOP 5

Top 5 - Músicas que marcaram minha vida

É muito difícil encontrar alguém que não tenha nenhum tipo de ligação com música. Para alguns a música é uma das coisas mais importantes que existe. Para outras, é apenas um acompanhamento para algum momento específico como uma viagem de carro ou uma distração dentro do ônibus ou do metrô.

O fato é que, se a gente puxar pela memória, é possível escolher algumas canções que marcaram nossas vidas de alguma forma.  Uma música que lembra a infância, uma viagem especial, uma pessoa especial. Enfim. Algo que a gente vai guardar para sempre.

Nesta lista destaco as músicas que, por alguma razão, me marcaram mais até hoje. Algumas que eu gosto muito ficaram de fora. Mas creio que as escolhidas tem todos os motivos para estar entre as minhas cinco preferidas.








1º “Smells Like Teen Spirit” – Nirvana (1991)
Nas primeiras vezes que ouvi falar de Nirvana eu imaginava que era uma banda extremamente pesada, impossível de se ouvir. Na verdade eu não conhecia nada de rock, nada de música que não fosse as que tocavam nas famigeradas rádios FM.  Um belo dia, meu amigo me mostrou um cd com um bebê na capa, nadando atrás de uma nota de um dólar. Foi aí que tudo mudou. O álbum em questão era o “Nevermind”. Todas as doze faixas são ótimas, mas “Smells Like Teen Spirit”, a primeira delas, era especial. A partir do momento que ouvi aqueles quatro acordes da introdução minha vida mudou pra sempre. Ouvia a música várias vezes, todos os dias. Definitivamente, esta é a canção que simboliza a grande mudança na maneira que eu enxergo música como um todo. Música pra mim passou a ser um estilo de vida, uma maneira especial de encarar as coisas.  É a principal trilha da minha vida e fim de papo.









2º “This Love” – Pantera (1992)
Na mesma época que eu ouvi o álbum “Nevermind” pela primeira vez eu também vi um clipe que me chamou a atenção. Era um cara de cabeça raspada, cara de mau e que berrava alucinadamente no refrão. Estou falando de Philip Anselmo, vocalista da minha banda favorita, o Pantera. Aquele vídeo me impressionou tanto pelas imagens quanto, é claro, pela música. Uma espécie de canção de amor para homens brutos. Diferentemente do Nirvana, o Pantera não era uma banda estourada na mídia. Por isso demorou um pouco  até que eu tivesse o disco que continha “This Love” em minhas mãos. Isso só foi acontecer cerca de um ano depois, quando minha mãe comprou pra mim no Mappin (alguém sabe o que é Mappin?) o cd “A Vulgar Display of Power”. Foi o primeiro cd que eu tive e também foi um marco na minha vida porque jamais imaginei que fosse gostar de um som tão extremo quanto aquele. Até hoje, aquele metal que muitos passam longe, me ajuda nos momentos em que preciso liberar o estresse.









3º “Fim de Semana no Parque” – Racionais MCs (1993)
Essa música tem uma importância ainda maior que a minha “formação musical”. O rap pra mim era só mais um estilo musical ao qual eu era pouco familiarizado. Conhecia apenas umas três músicas cantadas pelos poucos artistas do gênero que se destacavam na época, sendo que todas elas falavam de mulheres ou de dar um “rolê” pelas ruas. Até que mais ou menos no início de 1994 eu ouvi em alguma estação de rádio um som chamado “Fim de Semana no Parque”. Aquilo sim era rap! Vocais agressivos, letras, ídem. Pela primeira vez eu estava ouvindo alguém falar sem pudores da vida na periferia, dos problemas com a polícia, racismo, etc. Descobri que os autores daquele rap eram os Racionais MCs. Não demorou muito para que eu comprasse o cd dos caras e então ter um verdadeira aula que me ensinou a ter orgulho de ser negro, de como se portar com atitude digna perante qualquer situação e contestar aquilo que é errado na sociedade. “Fim de Semana no Parque” e os Racionais certamente moldaram meu caráter.










4º “Jeremy” – Pearl Jam (1991)
Em um texto que escrevi para no ano retrasado sobre os 20 anos do Pearl Jam eu começo descrevendo justamente a introdução desta música.  Falei da linha de baixo hipnótica que prende sua atencão logo de cara, dos outros instrumentos entrando em uníssono e do vocal marcante de Eddie Vedder. Sim! O Pearl Jam entrou naquele momento na minha lista de bandas favoritas para nunca mais sair. Rock and Roll autêntico, associado a letras com as quais muitos de nós podem se identificar, se você é fa de Pearl Jam, certamente existem pelo menos meia dúzia de canções que marcaram algum momento da sua vida.  No meu caso, como “Jeremy” foi a primeira que escutei deles, passou a ser uma das cinco músicas mais importantes pra mim.









5º “Banquet” – Bloc Party (2005)
Essa música é bem mais recente que todas as outras que compõem esta lista. Após anos ouvindo praticamente as mesmas bandas, naturalmente comecei a buscar novidades. Por volta de 2004, 2005 as chamadas bandas indies estavam ganhando mais espaço na mídia. Foi assim que acabei vendo o clipe da música “Banquet”. Achei o som interessante. Uma espécie de The Cure do século XXI, devidamente modernizado com alguns sintetizadores. Logo em seguida fiz minha primeira viagem ao exterior. Mais precisamente, a Londres. Essa viagem ampliou ainda mais meus horizontes porque passei a prestar mais atenção nas várias bandas inglesas que vinham surgindo quase que a cada semana. A partir de “Banquet”, do álbum de estreia dos britânicos do Bloc Party, abriu-se um enorme leque pra mim. Arctic Monkeys, The Libertines, The Strokes, The Killers, Franz Ferdinand. Quase todas elas bandas novas e britânicas que deram uma bela incrementada no meu gosto musical e aumentaram sensivelmente minha até então envelhecida coleção de cds. 



segunda-feira, 10 de junho de 2013

BLACK SABBATH - 13

Black Sabbath: os pais do metal estão de volta


Foram quase 35 anos de espera. Precisamente no dia 28 de setembro de 1978, a banda pioneira de heavy metal lançava “Never Say Die!”, o álbum que seria o último com a formação original até então.

Durante este longo período dezenas de músicos passaram pelo grupo. Só vocalistas foram sete! Apenas em duas oportunidades os quatro membros fundadores do Black Sabbath haviam se reunido até então. Em 1985, para uma apresentação isolada no festival Live Aid, e doze anos depois, quando efetivamente saíram em turnê e gravaram um disco ao vivo que incluiu uma única faixa inédita chamada “Psycho Man”.

Mas foi apenas agora no ano de 2013 que o sonho de muitos fãs finalmente se tornou realidade. O Black Sabbath acaba de lança hoje “13”, o décimo nono trabalho da longa carreira de 45 anos do grupo e o primeiro com Ozzy Osbourne nos  vocais depois de mais de três décadas. O disco foi liberado para audição em streaming no iTunes poucos dias antes do seu lançamento. E o que eu ouvi foi uma verdadeira obra prima da música pesada.


O Sabbath sempre foi uma banda marcada por suas letras polêmicas. Em várias músicas Ozzy aborda de forma ousada a relação entre o homem, Deus e o diabo. Em razão disso, muitos rotularam o Black Sabbath como uma banda satanista. Algo veementemente negado pelos seus membros. 

Eu me lembro de ter ficado bem espantado quando ainda era moleque e ouvi pela primeira vez a música “Black Sabbath”, do primeiro disco dos caras, na versão gravada pela banda Type O Negative para o tributo “Nativity In Black”. Mas havia mais do que letras assustadoras. Os britânicos não raramente tratavam também de temas políticos e guerras. Talvez o maior exemplo disso seja a música “War Pigs”, do álbum “Paranoid”, que fala sobre generais que se reúnem para planejar como vão massacrar a população mundial.

Mas voltemos ao novo álbum. “13” inicia como um típico álbum do Sabbath. Uma introdução bem fúnebre estabelece o clima perfeito para a primeira faixa “End of the Beginning”. Esta faixa de abertura mostra o tom do que vem a ser praticamente todo o disco: os riffs de guitarra matadores de Tony Iommi, muito bem acompanhados pelo pulsante baixo de Geezer Butler. Na bateria se destaca o “jovem” Brad Wilk. Sim. Ele mesmo. O responsável pelas baquetas do Rage Against the Machine tocou bateria em “13” depois que o “titular” da posição, Bill Ward, resolveu pular fora deste retorno devido a discordâncias com o contrato firmado para este novo projeto. Brad se encaixou perfeitamente com o resto do grupo e fez um trabalho digno de nota, mostrando uma técnica que não chegamos a ver na sua banda principal.


A segunda música do cd é “God is Dead?”. Esta canção já nasceu polêmica por motivos óbvios. O título desafiador serve para ilustrar do que se trata letra. Nela Geezer questiona o caos que o mundo vive e hoje e, em desespero, vocifera no refrão: “I don’t believe that God is dead! God is dead?”. Musicalmente, esta faixa começa um pouco mais cadenciada e vai crescendo ao longo de seus quase nove minutos de duração. É o primeiro single do álbum e foi muito bem escolhido. Confesso que fiquei de boca aberta quando ouvi pela primeira vez.

Na sequência vem “Loner”. Uma música que faz cair um pouco o nível de excelência de “13”, mas que não chega a ser ruim. Não sei se foi impressão minha, mas o riff principal me lembra muito o de “N.I.B”, canção do homônimo disco de estreia da banda. Já “Zeitgeist” é a “irmã gêmea” de “Planet Caravan”, do disco “Paranoid”. Ou seja, uma balada bem tranqüila com uma base composta por violão e percussão minimalista.

A metade final de “13” traz como grande destaque a faixa “Live Forever”. Certamente é a mais pesada de todo o disco e conta com um solo fantástico de Iommi. “Age of Reason” é apenas razoável e a dupla “Damaged Soul” e “Dear Father” encerram o cd de forma brilhante. Ao final desta última, para mais uma vez nos passar aquele clima de filme de terror, surgem sons de um sino de igreja, chuva e trovões. Assustador e magnífico ao mesmo tempo.
No fim das contas, “13” é um excelente álbum de metal, que segue a antiga fórmula que os fãs aprenderam a gostar há muitos anos e que influenciou várias bandas do gênero, desde o poderoso Metallica até o obscuro Corrosion of Conformity.


É claro que a roupagem dada as canções não é a mesma de 40 anos atrás. O toque de modernidade, sem tirar a essência do Black Sabbath, foi dado por ninguém menos que Rick Rubin. Um produtor que, na minha humilde opinião, é um dos melhores produtores musicais da história. Só ele mesmo para contribuir fundamentalmente com um trabalho excelente e que eu tenho certeza que vai de encontro ao anseio de tantos “metaleiros” que aguardaram longamente mais uma pérola dos pais do metal.


Estes mesmos metaleiros terão a preciosa chance de ver o Black Sabbath ao vivo aqui no Brasil, no mês de outubro, quando a banda se apresentará nas cidades de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.  Portanto, prepare seu bolso e separe sua camiseta preta para participar de uma grande celebração do mais puro heavy metal.



sexta-feira, 31 de maio de 2013

VINTE E DUAS NOVIDADES - Parte 2

Muito bem. Eis então mais 11 “novidades” que adquiri neste mês de maio. Assim como no post anterior, sintam-se à vontade para mandar comentários  caso algum ou alguns desses álbuns lhes chamem a atenção, positiva ou negativamente.
Ah! Já ia me esquecendo. Antes que vocês achem estranho, já vou explicando: sim! Eu tenho um gosto musical muito variado. Essa segunda parte da minha lista de novas aquisições deixa isso muito bem claro. Confira!



“The Purple EP” – Down (2012)
Após cinco anos sem lançar nenhum material inédito, a super-banda do eterno vocalista do Pantera, Philip Anselmo, completada por integrantes de grupos como Corrosion of Conformity e Crowbar, lançou seu seu quarto álbum no ano passado. Na verdade é um EP. São seis faixas excelentes, todas no melhor estilo Down. Ou seja: forte influência de Black Sabbath, mas com guitarras mais agressivas. Excelente!


“Disarm the Descent” – Killswitch Engage (2013)
O mais novo álbum dessa excelente banda de metalcore é marcado pelo retorno do vocalista original Jesse Leach. O cd é uma porrada na cara. Pesado até o osso, como todo metaleiro gosta. Mas ainda assim prefiro os vocais de Howard Jones, que cumpriu a função de frontman do grupo com muita competência por dez anos. De qualquer forma, um disco excelente que eu não poderia deixar de comprar.


“Machine F**king Head Live” – Machine Head (2012)
Segundo registro ao vivo desta que já pode ser considerada uma banda veterana de metal. O Machine Head, na minha opinião, é um grupo subestimado no mundo da música pesada. Tirando um ou dois tropeços, seus álbuns de estúdio são sensacionais e ao vivo eles provam porque são um dos melhores do gênero. Ainda não abri, mas estou muito ansioso para ouvir este cd duplo cujo repertório mescla os clássicos e as canções mais recentes dos caras.


“Lateralus” – Tool (2001)
Este cd não estava entre as minhas prioridades para ser adquirido. Eu já tinha dado uma ouvida nesse álbum alguns meses atrás e achei muito bom. Quando o achei em uma loja com um preço interessante, não deu outra. Comprei. Ao colocar o cd pra tocar rolou a plena certeza de que havia feito um bom negócio. O metal alternativo do Tool é excelente tanto pra “bater cabeça” quanto pra viajar nos arranjos pra lá de sofisticados. Altamente recomendável.


“Magic Potion” – The Black Keys (2006)
Não é segredo pra quem me conhece que eu estou “viciado” nesta banda. Achar o cd dos caras é uma tarefa complicada. Ouvi várias vezes meus álbuns preferidos na internet, mas eu precisava tê-los de forma física. Esse disco marca a passagem da dupla de Ohio do blues mais cru e quase inacessível dos primeiros trabalhos para um som mais palatável, mas não menos digno. “Your Touch” e “Goodbye Babylon” são minhas faixas preferidas.


“Attack and Release” – The Black Keys (2008)
Esse cd é ainda melhor que o anterior. Talvez por ser mais regular na qualidade das músicas. Complicado até para dizer qual é a minha favorita. Para quem não conhece a banda é uma ótima opção pra ter uma noção do que é o som do Black Keys.


“Brothers” – The Black Keys (2010)
Dos três cds do Black Keys esse foi o mais difícil de encontrar.  Justamente esse que era o que eu mais desejava. “Next Girl”, “Tighten Up”, “Howlin’For You”...é uma música melhor que a outra. Fica difícil dizer se é esse ou o mais recente, “El Camino”, o melhor álbum da carreira da banda.


“The Rhythm and the Blues” – Sam Cooke (1996)
Descobri este cantor através do meu camarada Bruno Kasten. Não me lembro agora o nome da música que ele me mostrou, mas sei que era uma belíssima canção de blues cantada com uma qualidade só equiparada, na minha opinião, por outro “monstro” da música negra norte-americana, Otis Redding. Essa coletânea de 20 músicas foi um achado. Tanto pelo preço baixo quanto pela riqueza do repertório.


“The Very Best of Otis Redding” – Otis Redding (1992)
Eu já tinha comprado uma coletânea do Otis no ano passado. Foi a única que achei na época com uma quantidade razoável de músicas e um preço aceitável. Acontece que nesse cd não tem a faixa através da qual eu conheci o cantor, “Try a Little Tenderness”. Este “Best of” recém adquirido, além de ter a faixa em questão, tem mais onze canções que não estão presentes na coletânea que eu já possuía. Mais um item valioso para minha coleção.


“Super Fly” – Curtis Mayfield (1972)
Até algum tempo atrás eu tinha este álbum em MP3. Acabei apagando do computador para liberar um pouco de espaço no HD. Me arrependi e achei que nunca teria a oportunidade de comprar este cd em formato físico. Não só achei como paguei apenas cerca de 10 reais por ele. Funk/Soul de primeira a cargo de um dos mestres do gênero. Gostando ou não do estilo, ouça!


“Django Unchained” – Original Motion Picture Soundtrack (2012)
Este filme é excelente e a trilha sonora não fica atrás. Mais uma vez o diretor Quentin Tarantino acertou em cheio nas duas frentes. Impressionante como o cara tem o dom de fazer filmes brilhantes e utilizar trilhas que impulsionam a obra, tornando-a ainda melhor. Se você já assistiu a esse filme, aposto que vibrou tanto quanto eu na cena que Jamie Foxx sai atirando em seus inimigos ao som de Tupac Shakur. Quase levantei da cadeira no cinema! Se ainda não assistiu, está perdendo duas horas de pura diversão.




quarta-feira, 22 de maio de 2013

VINTE E DUAS NOVIDADES - Parte 1


Salve, galera!
 
Após ausência por um período considerável, aqui estou de volta. E volto com novidades. Na verdade, com vinte e duas novidades. Eu explico. Essas novidades são nada mais, nada menos do que os vinte e dois CDs que adquiri neste meio tempo.
E antes que vocês pensem que eu preciso me internar por comprar tantos CDs em uma época que quase ninguém mais faz isso, digo também que finalmente comprei um Ipod (o Classic, não um dos ultramodernos) para poder "carregar" por aí minha preciosa coleção de álbuns.
Mas vamos ao que interessa. Neste post estão listados onze dos meus novos CDs. No próximo post, eu coloco a lista dos outros onze, ok? 
Por favor, comentem se algum(ns) deles chamou a atenção de vocês. Fiquem mais do que à vontade para opinar. Este blogueiro agradece.

 

 
"Operation Ivy" - Operation Ivy (1989)
Essa banda é o embrião do que viria a ser o Rancid dois anos mais tarde. Tim Armstrong (guitarra e vocal) e Matt Freeman (baixista) eram dois dos membros do grupo. Punk rock maravilhoso e muito ska compõem o repertório da banda que teve vida curta (de 1987 a 1989), mas deixou sua marca.

 
"Fresh Fruit for Rotten Vegetables" - Dead Kennedys (1980)
Finalmente consegui comprar este Cd!! Valeu a pena ser paciente, não pagar 75 reais (!!!) na Galeria do Rock, para comprar esta obra prima do punk rock por cerca de 28 reais.

 
"Live @ the Key Club" - Pennywise (2000)
Simplesmente lindo. Punk californiano da melhor qualidade. Há muito tempo sou fã dos caras, mas não tinha nenhum CD. Nada melhor que um registro de um show dos caras pra começar.

 
"Live at CBGBs" - Agnostic Front (2006)
Mesmo caso do Pennywise. Com a diferença de que o Agnostic Front é uma banda de punk hardcore da costa leste dos Estados Unidos.

 
 “Wolf” – Tyler, The Creator (2013)
Novo álbum solo do “líder”do coletivo de rap Odd Future. Pra variar, o disco está repleto de bases insanas, todas produzidas pelo próprio Tyler.
 

“Legendary Weapons” – Wu Tang Clan (2011)
Essa é mais uma das várias coletâneas lançadas pelo lendário grupo de rap de Nova Iorque. Nem sabia que existia, mas arrisquei comprar. Óbvio que valeu a pena.

 
“Long Live A$ap” – A$ap Rocky (2013)
Trabalho de estreia de uma revelação do rap americano. Não estava nos meus planos comprar este CD, mas me empolguei na hora e não me arrependi.
 

“My Time to Shine” – K.I. Double D
CD comprado na rua diretamente das mãos do próprio K.I. Não ouvi inteiro ainda, mas gostei do que ouvi até agora.
 

“Music 4DA Smokerz” – Naygunz
Mais uma “bolacha” de rap comprada na rua. Não é ruim, mas a insistência no tema cannabis deixa o cd meio monótono.
 

“Who Betta Take Over” – T.B.
Confesso que esse ainda não ouvi. Se for acima da média, prometo mencionar em um post futuro.
 

“The Naked City” – Gold1n
Dos CDs comprados na rua, até agora esse é o melhor. E não creio que o tal T.B. do cd acima vá superá-lo. O cara me disse que ele mesmo produz as bases. Deve ficar orgulhoso mesmo porque são bem interessantes e o flow da rima é bem bacana também.



 

 
 

terça-feira, 30 de abril de 2013

The Strokes



The Strokes "carrega" no eletro e agrada


 Há pouco mais de dois anos escrevi uma crítica sobre o então novo álbum dos Strokes intitulado “Angles”. Na época, me chamou a atenção o fato de várias músicas conterem fortes referências de new wave, só pra lembrar (ou explicar para quem não leu o texto sobre “Angles”), um estilo musical que fez muito sucesso nos anos 80, em que a grande característica era a presença de sintetizadores, som da caixa da bateria cheio de efeitos e vocais idem.
Atribuí essa tendência da banda nova-iorquina a grande influência exercida pelo seu vocalista Julian Casablancas, que dois anos antes havia lançado seu disco solo que pareceu um trabalho vindo diretamente de 1984.

Pois bem. Com a eminência do lançamento de mais um disco apenas dois anos depois do seu antecessor (o intervalo entre o “Angles” e o álbum anterior foi de 5 anos!) fui tomado de uma grande expectativa/curiosidade sobre com que tipo de som o The Strokes nos brindaria em seu novo trabalho.


Já era notório entre aqueles que acompanham a banda que, a partir do terceiro LP, “The First Impressions of Earth”, os caras passaram a “experimentar” um pouco mais em suas composições e foram deixando cada vez mais de lado o som “garageiro” que predomina nos seus dois primeiros álbuns. Foi o jeito que a banda encontrou para evoluir musicalmente.

Depois do mezzo new wave/mezzo rock and roll do disco anterior, os Strokes vem então com “Comedown Machine". E o que temos? Em poucas palavras, diria que é um disco setenta porcento “eletro” e trinta porcento rock. À saber, eletro é praticamente new wave. Talvez um pouco mais puxado para a música eletrônica. Algo parecido com Hot Chip ou Copacabana Club. E vocês então me perguntam: isso quer dizer que você acha o disco ruim? Resposta bem direta: Claro que não!

Por mais que eu até sinta falta e prefira rocks “chapados” como “New York City Cops”, “Whatever Happened” ou “Juicebox”, eu entendi qual é a dos caras em “Comedown Machine”. Parece que Julian e companhia foram preparando os fãs paulatinamente para essa mudança. Ou não. Acredito que seja mais o “jeitão” deles de compor músicas de acordo com que estão a fim, sem se preocupar efetivamente em mudar aos poucos, evitando chocar público e mídia.


Das primeiras seis faixas do disco, quatro seguem exatamente o estilo que descrevi anteriormente: “Tap Out”, “One Way Trigger”, “Welcome to Japan” e “80s Comedown Machine”. Com exceção da última, um pouco mais lenta e com Julian caprichando no vocal “deprê”, no melhor estilo Ian Curtis, todas são ideais para dançar em qualquer balada “indie”. As outras duas são as corretas “All The Time” (primeiro single do disco) e “50/50”, que remetem a fase inicial da banda.

Na segunda metade, “Comedown Machine” mergulha ainda mais na experimentação. As canções dão mais espaço para batidas programadas e sintetizadores do que para guitarras. Até dá pra encontrar solos discretos em “Slow Animals” e “Partners In Crime” (a faixa mais “crua” dessa segunda parte), mas o experimentalismo toma conta, seguindo a linha que predomina em quase todo o disco.

Encerra o álbum a única música realmente fraca dentre todas as onze. “Call it Fake, Call it Karma”. Uma balada esquisita e muito arrastada. A faixa não compromete minha opinião final sobre o LP. Ao ouvi-lo pela segunda vez, de ponta a ponta, já deu pra acostumar numa boa. Provalmente porque fui devidamente preparado para um trabalho “diferentão” com “Angles”. A verdade é que “Comedown...” é mais um bom disco do The Strokes. Mais uma parceria bem sucedida entre o grupo e seu produtor desde o início da carreira, Gus Osberg.


A única coisa que deixou a mim e a qualquer outro fã do The Strokes intrigados foi o fato de a banda não anunciar qualquer plano de excursionar em suporte ao novo trabalho. Imaginava-se que os caras, por não terem enrolado muito para gravar mais um disco, estariam loucos pra cair na estrada novamente. Mas não. Concordo que os arranjos das novas músicas poderiam ser um tanto quanto difíceis de serem reproduzidos ao vivo, mas não creio que isso seria um empecilho tão grande. Há quem diga que é um indício de que o grupo estaria nas últimas e que este seria um álbum de despedida. Não é de hoje que boatos assim circulam a respeito da banda, mas eu não boto muita fé nisso, não. Prefiro acreditar que é só mais uma das esquisitices de uma banda que nunca fez questão de ser muito normal. Is this it? Veremos...



quinta-feira, 18 de abril de 2013

METALLICA

O Metallica, a maior (não necessariamente a melhor) banda de heavy metal de todos os tempos se apresentará no Brasil pela sexta vez em setembro deste ano. Os gigantes do metal foram uma das primeiras grandes atrações confirmadas para a quarta edição nacional do festival Rock In Rio. 
Eles estiveram por aqui na edição passada, em 2011, e voltam mais uma vez porque seus shows são invariavelmente memoráveis. Mesmo que esta seja a teceira visita dos caras em pouco mais de três anos, os ínúmeros fãs da banda certamente serão maioria absoluta no público que vai lotar a cidade do rock no dia 19 de setembro, a chamada noite do metal. 
Apesar da enorme vontade, não poderei comparecer a este show. Seria a terceira vez que veria o Metallica ao vivo. Mas se você ainda não teve essa oportunidade e conseguiu ser um dos felizardos a adquirir seu ingresso, tenho certeza que vai assistir uma verdadeira aula de rock (rock pesado, naturalmente). Para reafirmar isso, resolvi postar aqui o texto que escrevi sobre o show que felizmente eu pude ver ao vivo, em São Paulo, no ano de 2010. Acho que vai ajudar a dar uma empolgação ainda maior para o show deste ano. Se é que isso ainda é possível. Com vocês, The Four Horsemen! 




Onze anos depois, Metallica volta ao Brasil para fazer história




Em maio de 1999, eu e mais dois amigos, Alex e Hugo, todos com pouco mais de 20 anos de idade, estávamos prestes a assistir aquele que certamente seria o show de nossas vidas. Foram mais ou menos cinco anos “dissecando” toda a discografia daquela que eu considero o maior (notem que eu disse a maior, não a melhor) banda de Heavy Metal de todos os tempos: O Metallica. Aquela era nossa chance de conferi-los ao vivo pela primeira vez.

Foi uma noite e tanto. Era o nosso primeiro show de grande porte e, naturalmente, passamos algum sufoco. Eu quase fui tragado pela multidão no começo do show do Sepultura, banda responsável por esquentar a galera para o evento principal. Um dos meus amigos, Hugo, teve que passar uns minutinhos na enfermaria para recuperar o fôlego. Mas no fim, o saldo foi positivo.

Onze anos depois, já trintões, lá fomos eu e meus dois amigos de infância ver o Metallica novamente.  Todo o contexto estava diferente dessa vez. Além de nós, obviamente, o Metallica também mudou. A banda passou por momentos muito difíceis nesse período entre 1999 e 2010. Substituição de baixista, vocalista com problemas de adicção, brigas, etc. Os “Four Horseman” chegaram perto até de encerrar as atividades, mas hoje se encontram totalmente recuperados e fortalecidos.




O álbum mais recente, “Death Magnetic”, lançado em 2008, recebeu boas críticas por remeter ao passado glorioso da banda nos anos 80, quando abusavam de riffs poderosos e solos perfeitos.  A turnê que se seguiu para suportar o cd não poderia ser mais bem sucedida. Quem tivesse a chance de ver James Hetfield (vocal e guitarra), Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra solo) e Robert Trujillo (baixo) em cima do palco, veria quatro caras com espírito renovado e com muita disposição para dar o melhor aos fãs. No último dia 30 de janeiro, no Estádio do Morumbi, foi isso que os três velhos amigos puderam testemunhar.

Assim como há onze anos, a banda de abertura do grande show foi o Sepultura. Da mesma forma que nós e o Metallica, os ícones do metal brasileiro também mudaram. Mas, infelizmente, mudaram para pior. Uma banda desfigurada, sem os irmãos Cavalera, seus membros fundadores, fez um show morno para uma recepção discreta do público. Mas isso é uma questão para ser discutida em outro momento.

Após um longo dia de espera, uma fila interminável para entrar no estádio, comida e bebida muito caros, era chegada a hora de ver o Metallica mais uma vez em ação. Pouco mais de nove e meia da noite, apagam-se as luzes e começa a tradicional introdução dos shows do grupo nativo de San Francisco, “The Ecstasy of Gold”. Começa um empurra-empurra e uma luta desenfreada para conseguir um lugar decente na pista para poder ver nossos heróis um pouco mais de perto.




Fim de introdução e direto na nossa cara disparam os acordes brutais de “Creeping Death”, clássico do segundo álbum da banda, “Ride the Lightning”, de 1984. Em seguida, outro clássico do mesmo disco, “For Whom The Bell Tolls”. A partir daí vimos uma sequência de sons matadores.  James, muito mais falante que da última vez, interagiu várias vezes com a platéia e usou a estratégia mais do que manjada para conquistar o público (como se ainda fosse preciso) ao soltar algumas frases em português como “Estão prontos?” ou então “Estão comigo?”.

As faixas do trabalho mais recente como “The End of The Line” e a balada com final destruidor, “The Day That Never Comes”, se encaixaram bem com o material mais antigo. Também não faltou a famosa pirotecnia durante a execução de “One”. Aliás, a produção foi de primeira qualidade. Além de explosões no palco e fogos de artifício, o “pano de fundo” era nada mais nada menos que um telão gigante que ajudou a mostrar detalhes da apresentação imperceptíveis a olho nu.

Na parte final do show eu já estava em êxtase completo. Sozinho, depois de meus amigos terem se perdido no meio da galera, minha cabeça quase explodiu de tanto que gritei durante “Master of Puppets” e  “Blackened”.  Emendadas,  “Nothing Else Matters” e o maior hit, “Enter Sandman”, encerraram a primeira parte do concerto.



Não demorou muito para Hetfiled voltar ao palco, se aproximar do microfone e dizer: “vocês ainda estão aqui. Por quê?”. Ele sabia muito bem. E junto com seus com comparsas nos brindou com “Stone Cold Crazy”, cover do Queen, “Motorbreath”, do primeiro disco, “Kill’em All” e, para fechar, também direto de 1983, “Seek and Destroy”, com refrão cantado em uníssono pelos mais de 65 mil espectadores presentes: “Searchiiiiiiiing...Seek and Destroy!!!!”

Agora, sim. Fim de espetáculo. Quero dizer, quase fim de espetáculo. Os quatro membros do Metallica permaneceram por mais uns 10 minutos no palco agradecendo o público, lançando palhetas e baquetas para os privilegiados da área vip.  Plenamente satisfeito, mas também esgotado, vi Lars Ulrich prometer que não vão demorar mais onze anos pra voltar. Será mesmo? E se levar todo esse tempo, os três amigos estarão novamente lá? Não sabemos. Mas se esta tiver sido a última vez, podemos dizer que este sim foi o show de nossas vidas.